4 de abr de 2011

A AMBIÇÃO




                                                                
Muitos não se  contentam com pouco, querem tudo, querem sempre mais. Isso é louvável? De forma alguma. Pequenas vitórias, pequenas conquistas, por mais insignificantes que possam parecer, nos trazem uma grande alegria quando lhes damos o devido valor. E não se trata apenas de conquistas materiais, mas abrangem as profissionais, as familiares, as fraternas e as amorosas.

A ambição pode ser uma qualidade, quando serve de impulso para realizações. Ficar estagnado esperando que tudo venha gratuitamente também não é o caminho. E ainda pode gerar a inveja, a impressão de que o mundo não é bom para todos, a sensação de inferioridade que transfere a culpa para os que obtém sucesso. Quem não batalha para conseguir o que almeja costuma concluir que os demais tiveram facilidades, receberam ajuda da família, conseguiram seus bens "de mão beijada". Ledo engano. Até os que vêm de família de posses só conseguirão se manter nessa condição se trabalharem, se se instruírem, se forem capazes.

Tenho observado que famílias de pouquíssimos recursos vivem felizes, têm seus preciosos momentos de lazer. Não é que se contentem com o fato de não possuir tudo que a mídia mostra como indispensável à felicidade. É que sabem priorizar, buscam pequenas conquistas, dão um passo de cada vez.

Famílias com situação financeira invejável não usufruem de seus bens, ficam a buscar, incessantemente, o crescimento dos mesmos. O bem estar, o gozo, transferem para um futuro que nem sabem se terão. Deixam que o trabalho fique em primeiro plano, justificam-se por não poder acompanhar a educação de um filho, por não estar presente em momentos importantes, porque são responsáveis pela manutenção desse "bem estar" da família que julgam existir, mas que é falso e gera uma destrutiva carência.

Podemos notar que há sempre uma reunião de amigos, um churrasquinho, uma comemoração de aniversário , entre membros de famílias de poucos recursos. Não se importam se a bebida é de qualidade, se há sofisticação...  estão ligados pelo calor humano. Conversam, riem, brincam, jogam fora a ansiedade e os aborrecimentos diários. Libertam-se e quando voltam ao trabalho estão bem mais leves e felizes.

Já os tidos como "ricos", e coloco entre aspas porque não tenho a riqueza como um conjunto de bens materiais, não se contentam com essas pequenas reuniões. Se vão fazer uma comemoração, há que ser grande, exibidora, trazendo para o convívio falsos amigos e interesses nem sempre louváveis. Todos precisam demonstrar, começando pela aparência, o quanto estão bem, o quanto possuem. E ao final da festa, cansaço e comentários maldosos.


                                                          
Não quero ser pessimista, mas essas são as colocações que costumo ouvir. Acompanho o modo de vida das auxiliares domésticas de minha família. Com o pequeno salário, mantém os filhos na escola e se preocupam com a formação deles, para que, no futuro, possam exercer uma profissão mais lucrativa. Aniversários, uma pequena promoção, dia das crianças, Natal, Páscoa, sempre são datas lembradas. E nas férias, que costumam ser planejadas, ou utilizam o dinheiro para uma reforma, a aquisição de um  eletro-doméstico sonhado, ou para uma pequena viagem. Neste caso, pagam em prestações, ficam várias horas em um ônibus, hospedam-se em lugares simples... mas voltam realizados e felizes. Sua ambição é produtiva, não se tornam escravos dela.

Outro dia, recebi um vídeo de um amigo e como tudo circula na internet, pode não trazer novidades, mas para mim foi inédito. Não o conhecia. Mostra o quanto a ambição desmedida pode destruir . Vejam.




Não somos o que temos e o que exibimos. Somos muito mais que isso. Não devemos mascarar nossa imagem, fazendo com que quem nos olha perceba apenas nossa condição financeira. E não devemos deixar passar a oportunidade de diversão, de lazer, em nome da ambição, da busca de querer mais. Há um tempo certo na vida para tudo e o que realmente temos é o agora. Não se trabalha para acumular riquezas, mas para ter o que nos faz feliz. E não necessitamos ter tudo ao mesmo tempo. Podemos caminhar com passos até grandes, sendo dispensável a corrida louca com o objetivo de se ter o mundo.  Pequenos momentos, pequenas aquisições, pequenos momentos de prazer podem representar uma eternidade.


                                                      
Hoje, os jovens não escolhem a profissão levando em conta suas habilidades naturais, seu ideal. Pensam,  muitas vezes influenciados pela família, que deverão buscar aquelas que, presumidamente, lhes renderão mais dinheiro, mais status. E por trás deles a frustração vai tomando espaço, trazendo uma insatisfação que não conseguem esconder, mesmo que possam adquirir mais do que desejam.

A vida é curta. Passa depressa. A única época que parece demorar é a adolescência, quando queremos ter idade para sermos independentes, queremos alcançar limites para os quais não estamos, ainda, preparados. Depois dessa fase, vêm as cobranças da própria vida e haveremos que estar prontos para elas, sendo que o melhor meio para isso é termos escolhido o caminho que nos é adequado. E sempre poderemos mudá-lo, sem medo, enquanto estivermos vivos.

                                                       


Um comentário:

  1. MUITO BOM MESMO! SEMPRE DISSE QUE QUEM SABE VIVER
    É JUSTAMENTE AQUELE QUE POUCO AMBICIONA E QUE, APESAR DOS POUCOS RECURSOS, VIVE O PRESENTE INTENSAMENTE.
    BJ.

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