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| (arquivo pessoal) |
Saímos de casa com antecedência suficiente. Dizem por aqui que "mineiro não perde trem", mas não contávamos com o enorme congestionamento que nos esperava. Assim, chegamos ao aeroporto em cima da hora, já ouvindo: "embarque imediato para o voo..." Não houve tempo sequer para um café.
Logo que nos acomodamos, pedi, gentilmente, ao comissário, um copo de água para tomar um remédio. Não consigo voar sem um ansiolítico (rss), em razão de trauma ainda não superado. Ele me olhou de maneira fria e não pronunciou uma das frases costumeiras, como: "pois não", "vou providenciar" ... Com aquela conhecida expressão de indiferença, se afastou. Fiquei sem saber se seria atendida. Algum tempo depois ele me trouxe a água. Agradeci e o vi se afastar com o mesmo rosto inexpressivo. Os comissários costumavam ser mais delicados. Parece que o vírus da indiferença se alastrou, irremediavelmente.
O tempo de voo seria curto e após a decolagem começaram a movimentar o carrinho de lanche. Confesso que nos surpreendemos ao receber um copo com água e um mini saquinho com bolachas. Vi que possuíam café, refrigerantes, salgados... e perguntei se me poderiam servir um café. Três reais, me respondeu a comissária. Se for com leite, cinco reais. Puro, afirmei. A senhora tem o valor trocado? questionou ela. Por acaso, possuía, mas notei que outros passageiros faziam uso do cartão de crédito. Minha viagem anterior se deu há apenas alguns meses e estranhei os novos procedimentos. Entendo que, se não podem servir aos passageiros, gratuitamente, o que exibem, não deveriam fazê-lo, ficando a cargo de quem deseja algo, pedir. Tempos de crise???
Rapidamente, passaram a recolher os copos, já que, em um voo tão curto, se demorarem vendendo produtos não terão condições para chegar aos últimos lugares, a fim de brindar os passageiros com água.
O comandante iniciou as recomendações de praxe, alusivas à aterrissagem, e o avião começou a descer. Repentinamente, arremeteu, nos assustando. Explicou ele que estava chovendo muito e não havia condições para o pouso. A traumatizada aqui (kkk) ficou impassível. Minha irmã, conhecedora do medo que me consome, brincou: melhor dormir enquanto ele passeia, já que nos levantamos muito cedo. Dormir????? Eu olhava pela janelinha procurando um pouco de azul, mas nada encontrei além de névoa e escuridão. Passado algum tempo, que não se consegue precisar nessas situações, o céu se tornou visível e a descida recomeçou. Pouso tranquilo.
E lá estávamos nós, na cidade praiana, pegando chuva (rsss). Que coisa! Seriam assim nossas férias????? Mas como diz o velho ditado, "nada como um dia após o outro". E o outro despertou ensolarado, abrindo para nós seus braços acolhedores.
Marilene
