22 de jan de 2014

AS CASAS

















(Vincent Giarrano 1960 - American Figurative painter )
                                                                  
                                                                                              
As casas falam e sua linguagem é bastante clara. Hoje a cemig cortou a luz durante umas horas, para reparos na região. Assim, fiquei impedida de usar  o computador, de colocar roupas na máquina... de exercer qualquer atividade que dependesse de energia elétrica. Morando no 12º andar, não iria descer pelas escadas ( o que seria fácil) porque subir me deixaria no meio do caminho (hehehehe). Comecei, então, a fazer uma faxina nos armários, retirando peças que já perderam sua oportunidade de uso. Como diziam em um programa humorístico, "não me pertenciam mais".

Depois de algum tempo, encostei-me no sofá da sala e passei a observar meu apartamento. É claro, espaçoso, iluminado e, para meu gosto, muito belo. Cada objeto foi cuidadosamente escolhido para o lugar onde o coloquei. Meus móveis combinam preto e branco, o que me permitiu decorar o ambiente com peças vermelhas e de outras cores alegres. Há uns vinte anos, jamais pensaria na possibilidade de ter um espaço assim. Obviamente, minhas prioridades eram outras. Mas o interior das casas que visitava sempre chamava minha atenção. Era a personificação de quem nelas morava, concluía.

Algumas me deixavam contente, à vontade. Em outras, ficava deprimida e ansiosa para ir embora. E nada tinha relação com poder e riqueza. Essas sensações surgiam em qualquer ambiente, mesmo nos mais simples.

As casas conversam conosco, se estamos atentos à sua linguagem, aos detalhes que nos são bem  visíveis , logo que entramos no local. Mostram o jeito de ser de quem as habita. E não só isso, o peso ou a leveza do espírito das pessoas.

Um colega de profissão residia em um enorme apartamento e eu não gostava quando convidava para reuniões lá. Móveis muito escuros, pesados, condizentes com seu jeito de ser. Faltava luz e alegria. Um homem fechado, intransponível, mas um brilhante profissional. Possuía uma biblioteca invejável, mas tudo ali era frio, ainda que o som ambiente fosse música clássica da melhor qualidade.

Uma outra amiga residia, à época,  em um quarto-sala, com marido e filho. Dividiu a sala com um biombo, para que o filho tivesse seu próprio espaço. Adorávamos estar lá, mesmo espalhados pelo chão. Ela preparava um jantar de primeira e nos deliciávamos. Ali, predominava o bom humor. Impossível não dar risadas e aproveitar um clima de amor e de vida. Aliás, eles ainda são assim, hoje, morando em uma belo condomínio. Companhias adoráveis.

É, as casas falam. E muito. Agora vou cuidar da vida, porque a luz voltou.

                                                                        Marilene


23 comentários:

  1. [ e eu quero o redondo
    quero o giro absurdo
    quero e preciso
    do que é iluminado]


    beij0

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  2. Olá, Marilene.
    casas tem a energia das pessoas que as habitam!
    Ótimo texto.
    Bom dia!

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  3. O facto da energia ter faltado foi pretexto para uma excelente texto!...:-)
    É bem verdade, as casas falam mesmo. Cada casa tem uma atmosfera muito particular. O ambiente pode ser leve ou pesado, descontraído ou austero, de acordo com a maneira de ser de quem nela mora, já que isso influenciará o tipo de decoração escolhida.
    A minha casa tem muita claridade, a decoração é muito simples, de móveis leves e muitos objectos reciclados. É digamos assim, uma casa descontraída e confortável.
    xx

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  4. Oi Marilene, boa tarde!
    A casa é o espelho do dono, é o reflexo da alma de quem nela habita.
    Algumas, mesmo sendo bem simples tem uma energia ótima, enquanto outras,
    ostentam tanta riqueza, mas o ambiente é carregado.
    Achei a crônica brilhante!
    Bjs.

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  5. Acho que fizeste muito bem em arrumar o teu armário!! Ui ui moras num décimo segundo andar?????? Nossa,eu não sei se conseguiria essa proeza,morro de medo das alturas e cá em portugal os prédios não têm mais que sete ou oito andares. Apenas o hospital tem 13 mas eu nunca estive lá no alto. Quanto à falta de luz,oh pah,quando isso aqui acontece,eu fico praticamente sem nada para fazer,minha casa é muito escura e a falta de luz não é nada bem-vinda,nem sequer nos dias de verão. O unico sitio onde de vez em quando bate o sol é a minha sala. Beijinhos fofinhos e até breve!!

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  6. Marilene, as casas falam mesmo muito da mentalidade da pessoas. A casas com ambientes mais soturnos, com um casal, podem ter muito a ver como o amor ou o desamor que vai lá dentro. E quantas vezes a apatia?
    Beijos

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Oi mana,

    Ficar sem energia no 12o andar, sem elevador e computador, não é nada agradável. Pior é ficar sem um cafezinho fresco enquanto se espera a energia voltar-rsrs.
    As casas refletem a personalidade dos donos quanto à decoração e falam, sim, quanto à energia que circula no lugar e que costuma ficar impregnada nas paredes. Também acontece comigo de ter prazer em me demorar em algumas casas e vontade nenhuma de ir a outras. Sempre gostamos de ficar onde nos sentimos bem, leves e à vontade, não importando se há luxo ou simplicidade no ambiente.

    Beijo.

    PS: Removi o comentário anterior para retificá-lo. Beijo.

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  9. Querida amiga
    Mais uma linda semana recomeçou
    Mais uma vez o sol brilhou
    Para nos abraçar com sua cor
    Sobre cada flor
    Fazendo com que tudo fique mais belo e colorido.
    Trazendo a alegria para viver a nossa vida com mais serenidade e alegria.
    Desejo a você minha paz e alegria para seu coração.
    Abraço amigo
    Maria Alice

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  10. Que belo texto, Marilene!
    Penso igual a ti, e faço essas observações de cenário, casas, etc... desde muito pequena.
    Consegui realizar um dos grande sonhos da minha vida: construir minha própria casa,uma casa em que eu mesma projetasse e isso foi realizado em 2004. Hoje moro com minha família. Optei por uma casa estilo loft: com pé direito muito alto, pouquíssimas paredes internas, sacadas, enfim, uma casa aberta. Disse-me certa vez uma amiga que é psicóloga que a minha casa é a minha cara :) pois me sente uma pessoa aberta, clássica (pois optei por uma decoração e estilo rústico, - que sempre será atual. Enfim, este texto me serviu como um chapéu! hehe

    Grande beijo com admiração por ti, pela pessoa sensível e inteligente!
    Espero um dia conhecê-la pessoalmente. A minha casa estará e portas abertas te esperando, Marilene!

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  11. Que delícia de texto, Marlene. É verdade, as casas dizem o que somos: alegres, pesados, deprimidos, esportivos, requintados... falam tudo! Também curto muito casa e decoração. Sou curiosa com elas, ali sempre revelam-se almas distintas. E ótimas histórias de vida.
    Adorei.
    Beijo.

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  12. Olá, querida Marilene
    Ainda hoje vinha pensando na volta da doutora: vou morar num kitinet.. pois moro já num quarto e e sala... por motivo de saúde... e pensava que precisava permanecer alegre sempre... Haja o que houver daqui pra frente...
    O seu post me veio a calhar...
    O espaço é secundário... o coração é primordial ser acalentado sempre... Acolhedor...
    Bjm fraterno

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  13. OI QUERIDA Marlene
    Realmente as casa fala ou melhor a decoração que fazemos nos diz tudo que estamos sentindo. Um belo texto. Amo vermelho. Um feliz fim de semana.
    Com carinho.
    Ana

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  14. Belleza de escrito, la casa es el reflejo de lo que somos.

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  15. Adorei o texto, Marilene. E as casas falam mesmo e sempre a linguagem do dono! Com o tempo elas vão ficando a cada dia mais detalhadas, graças às modificações feitas, por mais simples que sejam. E quando falta luz acabamos percebendo essas coisas porque vivemos uma espécie de nulidade momentânea. Bjs e bom fim de semana.

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  16. Marilene, que texto fantástico!!! Eu concordo que a casa reflete o que somos e o nosso momento. Há quase um ano mudei tudo para o branco e preto, uma decoração bem básica, poucos quadro e adereços, como uma alma se reconstruindo. Agora estou colocando personalidade nas paredes, um pouco de alegria e humor.
    Não me sentia muito bem com a decoração da casa dos meus pais, de bom gosto mas austera, pesada... e adoava o apartamento de uma tia querida, sempre leve, básica, aconchegante...
    Essa identificação independe de tamanho. As pessoas que vem aqui em geral gostam bastante, isso é bom. :)
    Um abraço!

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  17. Também sinto assim, Mari.Os ambientes pessoais refletem seus habitantes e dizem muito sobre a energia circulante no lugar.Desde que me mudei pra cá, há sete anos que transpiro luminosidade, pois isso foi uma coisa pela qual me esmerei, só não consegui fazer o mesmo com meu quarto, mas não desisti, não, eu chego nele:)
    Belo fim de semana.
    Bjos,
    Calu

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  18. É verdade Mari! Passamos nossa personalidade para o ambiente onde vivemos e por isso que quem chega logo percebe-nos em cada canto da casa.
    Há ainda quem diga: "aquilo é a tua cara!" ai agente logo entende o que a pessoa quis dizer.
    Colocamos a nossa energia em nossas casas nos mais simples detalhe e assim ela sempre nos revela.

    Que bela reflexão saiu essa falta de luz, hãn!
    Amei!

    Beijos.

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  19. Pura verdade: as casas falam. E dizem muito de nós! Belo post, boa semana.

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  20. Que bela crônica, Marilene! Adorei a reflexão sobre a semelhança das casas com os seus donos combinada à questão do corte de energia. Eu acho que a casa acaba mesmo por refletir a personalidade de quem nela habita e mesmo que falemos pouco nossas casas falarão por/de nós!
    Abraço!

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  21. Oi querida.
    É sempre um prazer enorme receber alguém aqui e estar aqui com vc foi incrível.
    Amei seu post econhecer um pouquinho de vc. Voltarei em breve e queria muito firma nossa amizade..
    Amo sorrisos assim... verdadeiros hehe. Beijo no seu coração e até breve.
    MELISSA E ALECRIM

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  22. Linda crônica querida Marilene.
    Você escreve com leveza, eu gosto muito.
    É verdade a casa onde moramos revela quem somos de verdade.
    Um grande beijo em seu coração amiga querida.

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