14 de abr de 2011

AMOR À PRIMEIRA VISTA?

                                                                   

Em cidades grandes como São Paulo podemos ver uma pessoa, casualmente, e nunca mais encontrá-la. Você está apressada, como todos, estaciona, atravessa uma rua e, nun relance, seus olhos cruzam com os de alguém e você até esquece onde está, onde vai. O coração acelera e a emoção envolve todo seu corpo. Mas não pode parar, está atrasada. Nem o dono dos olhos que tanto atraíram você. Passa todo o dia relembrando aquele olhar e quando chega em casa ainda continua a sonhar com ele. Procura passar nos mesmos lugares, nos mesmos horários, na esperança de reviver aquela emoção. Até que as lembranças se apagam e você sorri de sua ingenuidade juvenil, não importando sua real idade.  Todos já passamos por isso. É um momento daqueles que nos fazem bem, que guardamos com carinho.

Amor à primeira vista? Ele não existe. O que acontece em um momento único desses é uma atração à primeira vista. Se o chamado destino facilitar uma aproximação e dela resultar um outro encontro, uma troca de conhecimentos, uma exposição do íntimo, podem as pessoas conhecer, de verdade, um amor intenso. Mas ele não surgiu à primeira vista. O amor depende de muito mais que uma emoção especial transmitida por uma troca de olhares casual.

Aquele olhar que tanto significou em determinado momento pode até, em ocasiões futuras, gerar incômodo e insatisfação. É o que acontece quando, na oportunidade do conhecimento, não surgiu a afinidade, o bem estar. Ou quando tais sentimentos e sensações ficaram no campo individual, fazendo com que uma das partes queira dele fugir, por total desinteresse. Se ocorre isso, aquele lindo olhar passa a incomodar, já que o coração não mais o deseja, não houve correspondência de sentimentos.

                                                                  
Qundo somos bem jovens, alimentamos amores platônicos, com facilidade. Podem recair sobre um professor, um amigo do irmão, um vizinho... Mas a maturidade e a realidade passam a ocupar seu lugar e nos desvencilhamos daquele sentimento irreal. Se persiste, já não é uma emoção saudável, podendo gerar consequências desastrosas. Mas esse amor platônico pode aparecer também na maturidade. Só que o reconhecemos como tal e sabemos que é fruto de nossa imaginação. Costuma surgir porque acreditamos que aquela pessoa possui as qualidades que procuramos em um parceiro, mas geralmente é um amor tido como impossível, e aí está a chama que o tempo se encarregará de apagar, para não ultrapassar o campo da normalidade.

Um grande amor pode nem ser precedido dessas emoções relâmpagos, desse sonho que mantém as pessoas acordadas, fertilizando a imaginação. Há vários anos, recebi o convite de casamento de um colega de trabalho que não via há algum tempo. E me surpreendi. A noiva era também uma colega de trabalho e os dois sempre foram grandes amigos. Telefonei pra ele e manifestei essa surpresa. Disse-me então que sempre saíam juntos, com uma turma de amigos, faziam confidências, ofereciam o ombro quando um deles sofria por alguma razão, inclusive por amor. E um dia, sem qualquer explicação, ele a olhou e viu outra mulher. Observou-a de modo diferente. Passou a notá-la sem o sentimento de amizade, apenas. Imaginou o quanto seria difícil viver longe dela. E descobriu que a amava. Nem sabia quando os sentimentos mudaram, só pensou que não podia deixar passar mais tempo ou se arriscaria a seguirem caminhos diversos. Ao mencionar-lhe o fato, notou que ela estava radiante, pois já perdia as esperanças de vê-lo assumir esse sentimento. Estão casados, têm filhos e continuam grandes amigos. Essa é, para mim, a definição de um grande amor. Começou e cresceu despercebido, ficou forte, explodiu... e não terminou no "foram felizes para sempre", mas no lutarão para serem felizes juntos.


                                                                  
Há muitos casos de amor, felizmente. Como há casos de sofrimento por amor, infelizmente. Mas esse sentimento nunca será descartado da vida do ser humano. Conheço pessoas que amam gatos e não os trocariam por qualquer parceiro. Sentem-se realizadas assim. E ainda há os que vivem bem longe da convivência com outras pessoas, dedicando-se a plantas, a animais. Não têm solidão. Amam a vida. O que precisamos valorizar é a existência do amor, em si, não sobre quem ou o que recai o sentimento. Enquanto estivermos vivos poderemos sentí-lo, conhecê-lo, transformá-lo. O que é, realmente impossível, é ignorá-lo e viver sem ele. Ainda que não estejamos amando alguém, em especial, podemos e devemos amar a nós mesmos, procurando realizar o que nos dá prazer. Se é tão fugaz a vida, porque não usufruí-la com sabedoria?



2 comentários:

  1. RECORDO-ME DE UMA FRASE QUE DIZ "O AMOR NÃO É MAIS QUE UMA AMIZADE INFLAMADA"
    ESTE ENTENDIMENTO ENDOSSA, EM PARTE, SEU PONTO DE VISTA.
    BJ.

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  2. Eu, que me considero tão cética e racional, nesse caso sou uma romantica incurável...prá mim, existe amor à primeira vista,ou qq sentimento forte,como amizade, ou mesmo um desapreço qq.. Sei lá se o cérebro processa rapidinho mtas informações, ou se existe de fato uma ligação. Muitas águas podem rolar depois, e transformar uma atração numa relação mais sólida, ou não. Mas aquele primeiro sentimento não desaparece.
    Cléo

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