09 agosto 2020

QUE ME PERDOEM A FALTA DE BELEZA!

(Anastasia Glebova)



Devo ter muitos neurônios a menos porque meus pensamentos não alcançam alguns entendimentos e conclusões. Não me importa o que dizem os defensores dos direitos humanos sobre várias questões, até porque não os vejo marcar presença em outras, lutando por justiça, sendo fraternos , cooperativos, prontos para ajudar.

Um integrante do PCC está em greve de fome. Outros, como o perigoso Marcola, tão solidários à "dor" do criminoso amigo, recusam-se ao banho de sol. Todos querem obter vantagens que chamam "direitos". Na minha insuficiência mental, eu usaria o "e daí?" que o Presidente Bolsonaro, sem qualquer sensibilidade, utilizou para questionamento sobre número de mortes por covid. 
Que morram de fome e sem sol (Deus me perdoe) já que, em suas vidas, só praticaram o mal. Sem banho de sol não podemos ficar nós, nesse isolamento provocado pela pandemia e, por vezes, sem essa opção.

Bolsonaro, tão preocupado com sua reeleição, sempre minimizou os efeitos desse vírus e quer todo mundo nas ruas, no trabalho, pois "todos vamos morrer um dia". Com essa colocação, concordo, mas não com o que nos pode (o vírus) levar a ela. O Presidente não é culpado de nada pois só se faz presente em redes sociais e junto aos "apoiadores" que, dia a dia, lhe pedem favores na entrada do Alvorada. Seleciona entrevistas para abordar apenas o que deseja. Culpa tem a imprensa, por noticiar seus desacertos e as consequências deles. Por informar. Por se solidarizar com os que passam por dolorosas perdas.

Que a sorte a dele, não? De sua esposa, dos ministros contaminados! Todos com sintomas leves e, obviamente, contando com atendimento médico de alta qualidade. Ignora os muitos que aguardam assistência médica por horas, por testes não realizados, e vão a óbito por não conseguirem um leito de UTI.
Mas não existem esses casos, em sua opinião.
 
Quando leio notícias na internet, algumas só o título, já que não abordam nada construtivo, fico pasma. A pandemia não impede as plásticas, a exibição de "famosos" em fotos, sua demonstração de uma vida luxuosa no confinamento, a importância atribuída a práticas sexuais na quarentena. Aliás, muitos termos que me chegam aos olhos, a esse respeito, nada me dizem, pois não sei do que se trata. E nem procuro saber. Como afirmei antes, tenho neurônios a menos.
 
Nossos indígenas, abandonados, desejam apenas viver do que lhes oferece a natureza, mas suas terras possuem riquezas, o que os tornam "personae non gratae"  para garimpeiros e desmatadores, que contam com apoios descabidos, censuráveis, inaceitáveis, por parte dos governantes.
 
Três policiais perderam a vida nas últimas horas, no exercício do dever. Triste e lamentável. Não obstante, mereceram suas famílias as condolências do Presidente, enquanto os mais de cem mil mortos pela covid parecem traduzir um fato normal e corriqueiro.
 
Eu gostaria de escrever um texto poético abordando coisas belas e inspiradoras, mas não consigo. Nada disso me vem à mente. Poderia voar, me ausentar do chão e não sentir tristeza, mas também não consigo.
 
Devo ter, realmente, muitos neurônios a menos,  pois me falta entendimento para as providências não adotadas, para o silêncio inoportuno, para as arbitrariedades, para o racismo, para a violência policial...


                                                                    Marilene





13 comentários:

  1. Oi Marilene,

    Como dizia minha mãe: cada um é de um jeito.
    Se para ser um político(ª) não ganhasse dinheiro algum, sobrariam vagas: fico enojada com os roubos de dados e intromissão em nossas vidas sem mesmo sermos notificados e para eles só sobra o rack bem remunerado e somos nós quem pagamos.
    Adorei sua postagem. Vê-se que é muito culta.
    Beijos no coração
    Lua Singular

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    1. Obrigada, querida! Conciliar poder com honra exige arraigados valores. Bjs.

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  2. Marilene, estás coberta de razão e sabes ver as coisas que acontecem, ao contrário de tantos que não querem enxergar! A situação está mesmo cinza, danada e o cenário difícil de enfrentar! Que aquela COISA mude, já nem peço...Isso é impossível... Não tem alcance pra tanto. Assim, só esperar ,ter fé e seguir, sem desistir... beijos, chica

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  3. Oi, Marlene,
    a verdade é que vivemos num estado de ansiedade e de agonia quando ouvimos os noticiosos, e sabemos as razões. Inúmeras. O meu maior sentimento é a destruição da Lava Jato, coisa que jamais imaginamos acontecer. É muito rolo.
    Enfim, teremos ainda muita coisa a surpreender. Não estou otimista, muito pelo contrário.
    Beijo, uma boa semana, na medida do possível, e... fique em casa até termos vacina.

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    1. Tais, a Lava Jato foi uma preciosa conquista. E colocou pontiagudas pedras nos calçados de muitos, impedindo-os de caminhar por escusos caminhos, sem serem vistos. Assim, sabemos quais os interesses que norteiam sua pretendida destruição.

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  4. Vivemos imersos em tantas inseguranças, vamos à deriva. Já desisti de ver noticiário. Gostaria que a nuvem negra que nos assombra se desolvesse. Bjs

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    1. Vejo, mesmo ficando chateada. A insegurança nos rodeia. Bjs.

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  5. Boa noite tudo bem? Sou carioca e procuro novos seguidores para o meu blog. E seguirei o seu com prazer. Novos amigos também são bem vindos, não importa a distância.

    https://viagenspelobrasilerio.blogspot.com/?m=1

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    1. Luiz, quando criei meu primeiro blog, visitava os demais, lia suas postagens e deixava um comentário. É esse o caminho, ok??

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  6. Querida Marilene

    É imperativo falarmos desta pandemia que veio pôr a nu tantas desigualdades, para além daquelas que conhecíamos. Por isso, considero importante este seu texto com os desabafos que nos traz. Há realmente coisas incompreensíveis nesta situação que estamos a viver e são deveras alarmantes.

    Beijo
    Olinda

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    1. As desigualdades ficaram gritantes e nossa fragilidade exposta de maneira cruel, pois dependemos e quem tem nas mãos o poder de de aliviar. Bjs.

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  7. Queria comentar esta publicação no sentido político mas a esta hora é melhor não o fazer
    😊
    Registo a fácil linguagem para um tema tão complicado de se abordar. Gostei

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