22 de abr de 2014

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO

(arquivo pessoal)
                                                   

                                                                                                         
Caminho pela calçada. Poucos passam por mim. Os pontos de ônibus estão vazios e as portas das lojas fechadas. Há silêncio na cidade e raros carros vejo estacionados. As ruas, vazias, recebem outros visitantes, as folhas que o vento arranca das árvores e que viajam, quase que senhoras absolutas de todos os espaços, diante dos meus olhos. 

Efeitos benéficos dos feriados prolongados. Uma sensação de retorno à então pequena cidade onde passei a infância. Hoje, o progresso lá chegou e as casas, ao contrário de antes, precisam estar trancadas para proteção de quem nelas vive, da mesma forma que procedemos aqui.

Ao contrário do que acontece diariamente, até os pássaros se sentem à vontade para pousar em qualquer lugar, inclusive no meio das ruas, sem o risco de atropelamento. Passo por eles e nem voam. Permanecem em sua experiência incomum. Parece que leem, nas entrelinhas dos poucos sons que se ouve, melodiosa canção de liberdade, já que a confusão rotineira da capital foi desfeita por alguns dias.

Na pracinha, umas duas mães com filhos brincando e, vez ou outra, alguém passeando com seu cão. A cidade parece adormecida. Os que optaram pelo sossego e aqui permaneceram se deliciam com esses momentos de tranquilidade. Para isso são bons os feriados. Convidam ao relaxamento, ao ficar observando o céu através das janelas, à preguiça gostosa que nos leva a descansar no sofá sem nos lembrarmos que existem relógios. Não são úteis quando o tempo é todo nosso. Até os livros nos acenam, clamando por atenção.

Continuo minha caminhada e passo pela Igreja do bairro. Lá não há sinal de abandono. Percebo que muitos fiéis participam das cerimônias realizadas na Semana Santa. Ela está cheia. Com toda a loucura que cerca os vários cantos da terra, existem muitos que ainda alimentam a fé e que oram por si e pelos demais, os que não se perderam de um louvável caminho, o do amor. E me lembro de um vídeo que recebi e que apresenta um exemplo de bem viver.




                                         video

                                                      

O que faço na rua, em plena sexta-feira, carregando minha inseparável máquina fotográfica?  Vou à locadora escolher um filme e, nesse sossego, observo o que vejo e faço alguns registros. Tudo é tão belo e leve no silêncio desse dia!  Até as flores caídas, as árvores cuja copas chegam ao outro lado da rua, fazem pose para meu foco. E ali, sozinha, posso namorá-las, demoradamente. Conheço cada cantinho desse trajeto que faço, diariamente. Mas nem sempre volto minha atenção para eles, já que outros chamados me ocupam a mente. O feriado, a quase ausência de pessoas pelas calçadas, o morno calor da tarde clara, permitiram que fizesse mais um daqueles voos mágicos, com os quais somos premiados quando, também nós, nos deixamos levar, unicamente, pelo sentir. 

                                                                     

                                                                                Marilene


( Vou me ausentar por alguns dias, para dar atenção a uma hóspede querida. Retornando, visitarei, com prazer, os espaços de quem por aqui passou ) .



27 comentários:

  1. Que legal quando passamos pelas ruas e estão assim tranquilas. E a companhia da maquininha é legal,nos possibilita clicar o que vemos...

    Bom descansinho e aproveita bem a visita! beijos,chica

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  2. Olá, Marilene. Às vezes precisamos voltar às nossas origens para buscar algo que ficou por lá. E fazemos isso, muitas vezes, sem sair do lugar. Volte logo!

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  3. Bonita crónica de bons costumes Marilene. Observá-los é muito do teu modo de estares na vida.
    Aprecio muito esta nuance.
    Beijos

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  4. Bom dia Marilene!
    Que vídeo lindo... quem doa amor e solidariedade recebe em troca emoções que dinheiro nenhum compra.
    Gostei da sua visão sobre o silêncio de uma cidade, que normalmente é agitada.
    Feriado prolongado tem disso. Nos permite sentir os lugares de um jeito diferente.
    Bjs :)

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  5. Belas reflexões, Marilene. Realmente, o crescimento da população e a agitação da vida moderna nos levaram aquela tranquilidade e qualidade de vida que faziam parte de nossos dias... principalmente nas cidades pequenas. Que saudade! Boa semana, amiga.

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  6. Também gosto muito de passear pelo silêncio da cidade, me faz muito bem.
    Grande abraço amiga querida.

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  7. Que bonito post, Marilene!
    Como um feriado pode ser tão compensador ao nível das emoções, quando existe tempo para parar um pouco debruçar os olhos sobre tudo com olhos de ver para que se possa sentir e tomar o pulso.
    O vídeo é deveras comovente. Só de olhar para a cara dele ao ver a menina já a poder ir à escola!... Ser bom é isso, é ficarmos alegres com o bem estar dos outros. E tantas vezes não custa nada ajudar... Engraçado que sou eu e o meu marido que embelezamos os canteiros aqui do bairro , já que o Municìpio nunca mais se interessou em jardinar por estes lados, e dá muito prazer ver as flores que lá colocamos crescerem e florirem...:-)
    Gostei muito.
    xx

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  8. Olá Marilene! Obrigada por mais essas palavras maravilhosas, viu? Adoro vir aqui e ler suas observações que são bastante especiais para minha pessoa. Adorei o vídeo....fiquei emocionada, vou compartilhar no facebook.
    Beijos!
    Monólogo de Julieta.

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  9. Lindo Marilene! gostei do post e suas observações, dignas de pessoas atentas e que veem o sutil, o simples , mas de grande significado para pessoas sensíveis como vc demonstra ser. Bjs . Grande abraço e fk com Deus

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  10. Hum...uma prosa cheia de poesia? Linda.
    Também gosto da cidade vazia, que calma, que vida! Fernando Veríssimo que diz que a melhor época de Porto Alegre é no verão, nas férias; ele não sai nas férias, gosta de curtir a cidade. Ele e mais alguns, pois todos gostam de sair nas férias e feriados. Eu não gosto. Mas vou fazer como você, vou andar com minha maquininha!
    Beijão, aproveite a saída...

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    1. Voltei só para lhe dizer que vídeo fantástico!
      Obrigada, fiquei emocionada...

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  11. Oi mana,

    Tocante o vídeo. Quem faz o bem sem buscar reconhecimento e por pura bondade recebe de volta algo que não tem preço, que é a satisfação interior de ver o brilho da felicidade que proporciona com suas atitudes.
    Sua prosa está linda. A cidade parou mesmo neste feriadão e na sexta feira nem saí de dentro de casa. Fiquei na moleza-rsrs.

    Beijão.

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  12. Oi, Marilene?! Muito obrigada por ser a minha mais nova amiga virtual! Amei, beijos!

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  13. Marilene, minha querida, é com prazer que retorno ao seu espaço depois de um tempo ausente, o que por sinal ocorre em tantos outros blogs amigos que tenho em minha lista. Vendo esse post, pude constatar que suas crônicas continuam espelhando aquilo que de acordo com suas observações acabam sendo um reflexo de nós mesmos no cotidiano. É o que eu gosto sempre de dizer, minha querida, escrever qualquer um pode, no entanto, é preciso mais. É preciso ter o que escrever e saber descrever tudo que em letras se expressa. E isso é algo que você desempenha de forma maravilhosa. Isso não é um elogio, mas sim um fato constatado aqui por mim, e creio que por muitos outros também. Me desculpe, tenho diminuído drasticamente as visitas em muitos blogs amigos e atualizado o meu com muita demora em razão da vida profissional intensa, mas quando surge uma pequena oportunidade, eu visito alguns a medida do possível, deixo outros para uma próxima vez, retribuo as visitas que me fazem e por aí vai. Gostaria de ter mais tempo para ser atencioso com os blogs dos amigos, mas tem sido difícil. Mesmo assim, sigo por aqui, em pé sem cochilar e sentado sem dormir. Um beijo no seu coração.

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  14. Bom dia minha querida!
    Como sempre, sua palavras registram magia ao relatar uma simples saída à rua.
    Não pude deixar de chorar como vídeo, pois sou exatamente assim. No passado, chorava ao saber das pessoas que não agiam de forma a dividir amor ou fazer o bem e não entendia. Meu marido me disse que não importava o que as pessoas estavam fazendo e sim o que eu fazia de coração. Hj, realmente não deixo a indignação e raiva tomar conta de mim, mas procuro distribuir amor diariamente, pois mesmo que nenhum olhar humano veja, sei que faço pra Ele (Cristo) e dessa forma me sinto realizada.
    Abração esmagador e dias de amor e bênçãos em sua vida.
    Márcia - Poções de Arte.

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  15. Boa tarde,
    3:05 de belas imagens, mostram na perfeição que a solidariedade torna-nos mais felizes.
    Dia feliz
    ag
    http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

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  16. Marilene, minha amiga de alma divina!!! Ameiiii seu texto, tão leve e cheio de amorrrr! Me senti caminhando contigo pelas ruas, fazendo este trajeto tão cheio de paz...suas fotos, lindas e que vídeo, encantador... me emocionou muito... saio daqui mais leve, numa energia maravilhosa, obrigada... beijinhos
    Valéria

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  17. Cara Marilene

    Uma grande sensação de paz ao ler o seu texto. De vez em quando precisamos desses fins de semana mais ou menos prolongados para podermos olhar para as coisas que nos rodeiam com outro olhar.

    Desejo-lhe uma pausa reconfortante.

    Bjs

    Olinda

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  18. Marilene, o curioso é que esse deserto comum em feriados acaba nos deixando com medo em virtude do mundo atual. Mas em condições 'normais', era para nos causar essa sensação bela descrita em seu texto. E que vídeo lindo. Solidariedade transbordando. Bjs

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  19. Oi, Marlene!
    Que texto lindo... um passeio cheio de recordações boas e encantos. Também gosto da tranquilidade para me demorar observando a natureza e a vida que passa lenta. Passou-me a impressão de que seu passeio foi renovador, daqueles que resgatam algo adormecido e importante na alma. Um abraço!

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  20. Aguardo o próximo post, Marilene. Boa semana!

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  21. Excelentes, o texto e o vídeo !

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  22. Olá Marilene!
    Gostei imenso do seu texto e do seu olhar carinhoso.
    Não importa se é sexta-feira santa ou qualquer outro dia, mas sempre devemos observar à nossa volta com carinho no coração.
    um super abraço carioca

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  23. Oi, Marilene!
    Que delícia a cidade vazia!! Nos sentimos donos nesses momentos! Eu sinto saudades da cidade da minha infância! Ao contrário do que acontece onde mora, aqui onde moro a cidade é invadida e nos sentimos quase que expulsos! :D Seu texto me fez sentir uma nostalgia incrível!
    Boa estadia para a sua amiga!!
    Beijus,

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  24. É verdadeiramente inspiradora esta tua postagem,eu confesso que a minha cidade é muito movimentada mas a minha aldeia é muito parada e eu gosto deste silêncio que se faz sentir por cá. Desejo que estejas bem e que sejas feliz,fica com deus!! mundomusicaldacarolina.blogspot.pt

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  25. Uma crônica que descreve, com perfeição, o cenário de uma cidade grande num dia de feriado. Excelente!
    Beijos!

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  26. Marilene muito lindo o que escreveu. Um sentir que da paz num dia calmo. Gosto de cidade vazia, mais ao mesmo tempo sinto medo, muito medo pela violência. Aqui a violência acontece muito nesses dias calmo.
    Beijos e volte logo!
    Fico feliz quando você me visita.

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