5 de mar de 2014

SAIA JUSTA

(Florence Blin - French - Figurative painter )

                                                                     
                                                         
Aguardava a hora do embarque, no aeroporto, quando ouvi alguém pronunciar meu nome. Virei-me e uma jovem mulher veio em minha direção, sorridente, dando-me um abraço e perguntando como estava. Retribui o sorriso, respondendo: tudo bem. Ela me observou, por inteiro, disse que eu não havia mudado nada, e questionou: lembra-se de mim? Valha-me Deus! Sequer poderia imaginar quem era. 

Porque será que fazem esse tipo de pergunta quando "esbarram" em pessoas com quem não têm contato? Poderiam se identificar primeiro: Sou a "fulana" e nos conhecemos em "tal lugar", lembra-se? Ficaria mais fácil.

Após aquele efusivo cumprimento, não encontrava palavras que me pudessem tirar da saia justa e foi com alívio que a ouvi fazer referência à escola onde cursei o Normal.  Você nunca esteve nos encontros de formandas do Nazaré, comentou ela. Já com os pés no chão, informei-a que trabalhava em São Paulo, fato que me impossibilitava de confirmar presença quando os convites me eram enviados. Quem sabe no próximo, continuei, já que estou morando em Belo Horizonte! Ela começou a mencionar outras antigas colegas, o que estavam fazendo atualmente, suas profissões... e eu sorria, demonstrando curiosidade e alegria por receber tais informações. Na verdade, já se passaram tantos anos, sem qualquer convivência, que não me lembrava de nenhuma delas. Alguns nomes me soavam familiares, mas só isso. A então "bendita" voz que chama para embarque se fez ouvir e nos despedimos, com outro abraço. Vou estar esperando você no próximo encontro, disse ela. Farei o possível, respondi. E me afastei, rapidamente.

Acomodada, dentro do avião, perguntei a minha irmã se se lembrava dela, pois estudamos no mesmo colégio. Também não. Saí da cidade pouco tempo depois que terminei o curso e , embora fosse lá, frequentemente, para visitar minha família, não mantinha contatos sociais e só me interessava em saber como estavam as pessoas que fizeram parte de meu círculo de amigos, à época, não incluídos na turma do Normal, salvo raras exceções. Quem permanece na mesma localidade acompanha os acontecimentos, relaciona-se, mantém o vínculo. Isso não aconteceu comigo e fiquei surpresa por ela ter-se lembrado de minha fisionomia, decorridos mais de quarenta anos.

Essas situações são constrangedoras. Apesar de me ter saído bem (rsss), eis que ela falava bastante e não aguardava as respostas, confesso que nem seu nome eu sei. Graças a Deus não precisei pronunciá-lo.

Respirava, aliviada, quando ouvi: que coincidência, estamos no mesmo voo! Era ela, passando pelo corredor (hehehehehe) .


                                                                 Marilene



20 comentários:

  1. Olá, Marilene,

    vivo passando por esses apertos! O pior que acho é quando meu marido se aproxima de mim e diz, trazendo um/a amigo/a do lado: "Lembra de Fulano?!" e eu: "Humhum...lembro, mas, na verdade, não faço ideia de quem seja! Ai meu coração e minha memória! Há alguns anos uma mulher bem elegante me parou na porta de um shopping, perguntou por mim, meu esposo, pelos filhos, chamando todos pelo nome...conversou, conversou e, na despedida, desejou felicidades até à minha sogra. Meu caçula me acompanhava e perguntou: "Quem é, mãe?" e eu na minha alegria de sempre "Não tenho ideia, meu filho!"...mas ela me conhecia bem, de onde, não sei dizer! rsss...

    Abraço,

    Araceli

    venha nos visitar também:

    www.pedradosertao.blogspot.com.br

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  2. rsssssss...Então não te livraste logo,né? Essas coisas nos deixam em saias justas mesmo. Imagina que eu não sou, nem nunca fui boa fisionomista. Quando chegava a hora das audiências nem reconhecia os clientes. E havia passado no corredor por eles. Um horror. E falar com quem nos conhece e não sabemos quem, é dose!! bjs, chica

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  3. Já não me pegam mais nessa não. Fico atenta a tudo.
    Querida, o sue texto ficou ótimo, vc é excelente em poesia e em prosa.
    Tenha um bom resto de semana.
    Beijos,
    Renata

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  4. Olá, Marilene!!!!!

    Saudades, minha amiga!!!! E que texto lindo!!! Apesar da saia justa...rsrsrs
    Ao menos rendeu um excelente texto para reflexão!
    Beijos e meu carinho!!

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  5. A chamada crónica da vida normal, relatada aqui com uma bela pitada de humor...:-)
    São situações que ocorrem de vez em quando, e realmente é um pouco constrangedor uma pessoa nos abordar com tanta naturalidade e nós não fazermos ideia de quem se trata, e para adensar o enigma ainda fala de outras pessoas que sabemos ter conhecido mas há tanto tempo que se as víssemos também não as reconheceríamos.
    Gostei muito de ler, Marilene! E afinal a senhora da saia justa acabou seguindo viagem contigo...:-)
    xx

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  6. Oi Marilene :)
    Essas saias justas são mesmo constrangedoras!
    Isso me acontece com frequência. Moro num bairro populoso onde passei boa parte da minha infância, mas as pessoas mudam, e quando me encontram, conversam comigo com naturalidade, como se eu lembrasse delas, (algumas me recordo outras não!
    E passo muitas horas tentando recordar pelo menos o nome da criatura...
    Bjs.

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  7. Oi mana,

    Esse tipo de 'saia justa' é muito comum de acontecer. Já aconteceu comigo várias vezes e eu ficava tentando ganhar tempo com o papo enquanto implorava à memória que me desse uma luz. Às vezes lembrava, outras não. Fazer o quê, né? - rsrs

    Beijo.

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  8. Eu não corro este risco graças a Deus, por que tenho memória fotográfica, mas nome, ah meu Deus nunca lembro, quando a pessoa não faz parte do meu círculo habitual de amigos, mas se ver a pessoa uma vez, nunca mais esqueço seu rosto.
    Adorei seu relato, bjs no coração.

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  9. Oi, Marilene!!
    Isso é realmente constrangedor! Ainda mais quando é você com uma única pessoa frente à frente, para relembrar algo que apenas uma pessoa tem memória viva. Às vezes eu encontro pessoas que me acenam, mas que não sei quem são. Noutro dia, fui em um encontro social e estive com um casal. A mulher me parecia bem familiar, mas não conseguia lembrar da situação em que estive com ela. Foi assim a noite toda: ela se dirigia à mim com uma certa intimidade em uma roda de amigos, mas não entrou em questões que pudesse me colocar em saia justa. Noutro dia perguntei ao meu marido e soube que convivi com essa pessoa por uma semana quando ela esteve hospedada em minha casa. Acho que "aquele alemão" está fazendo algum estrago dentro da minha cabeça. Não lembro até hoje. Será uma pegadinha? (rs*)
    Beijus,

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  10. Rsrsrsrs...ai meus sais!!!
    Sou useira e viseira em me meter nessas enrascadas.Quando retornei à minha cidade tropeçava dia sim outro também em colegas do colégio e aí começava a tortura pra lembrar-me do nome da fulana,ui...

    Bom final de semana por aí.
    bjos,
    Calu

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  11. OI QUERIDA MARLENE
    Nossa que cabeça boa é a dela.Jesus imagino como vc ficou rsrsrs.Temos a delicadeza das flores A força de ser mãe, O carinho de ser esposa, Reciprocidade de ser amiga, A paixão de ser amante, E o amor por ser mulher! Somos fêmeas guerreiras, vencedoras, Somos sempre o tema de um poema Distribuímos paixão, meiguice, força, carinho, amor. Somos um pouco de tudo Calmas, agitadas, lentas! Vaidosas, charmosas, turbulentas.Feliz dia da Mulher bj no teu coração

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  12. Boa tarde Marilene, passando para desejar hoje e sempre um feliz dia da mulher... bjks

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  13. Olá, querida
    É sinal que não mudou nadinha em termos físicos... rs...
    Não me aconteceu algo semelhante ainda...
    Bjm fraterno

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  14. rssss, isso é horrível! Comigo aconteceu numa cafeteria e eu reconheci a mulher pelos dentes! Pior é que no primeiro impulso, querendo ser gentil, eu disse que ela nada tinha mudado. Mentira, engordou uns 50 quilos, por isso os dentes foram que me salvaram! Eu sou a rainha das saias justas!
    Beijão, adorei tua saia... pelo menos não foi tão ruim.

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  15. Nossa, Marilene, essa situação é triste. Vc fica em pânico por não lembrar e teme ser deselegante. Mas se sair bem disso é para poucos, se considere uma vitoriosa. rs Bjsss e bom domingo.

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  16. Nice post, que hayas pasado un lindo dia de la mujer.

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  17. hahaha, ai, Marilene, adoro esses seus "causos"...
    Eu me tornei péssima fisionomista por ter trabalhado com atendimento e depois, como professora, ou seja, muitas pessoas passaram na minha vida. O que acontece é que, como minha aparência é praticamente a mesma - imagino que deve ser seu caso - todooos lembram-se de mim!!! Já passei por algumas saias-justa como a sua!
    Para evitar constrangimentos uso a tática que citou, quando chego em alguém já vou me identificando, "fulana de tal de tal lugar". Mas em geral as pessoas não facilitam, kkk! Isso às vezes me faz passar por antipática, quando na verdade, é a memória que já não ajuda mais!
    Um abraço, ótima semana!

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  18. Pura Verdade! Duvido que alguém não tenha passado uma saia justa do tipo... e como é incômoda, Marilene! Agora... estar no mesmo avião, foi azar demais! :) Boa semana.

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  19. Marilene, esses encontros dão-se por vezes. Não esquecendo muito fisionomias, por vezes acontece. Mas o que me está acontecer muito é estar a ser abordado por ditos conhecidos, pretendendo fins comerciais fraudulentos. A minha resposta é boa tarde. Agora virá, dos Estados Unidos a minha casa, um ex-companheiro da Guerra Colonial. Como lá estevemos juntos pouco tempo, é inédito não o ter conhecer, nem estar mencionado no meu diário, apenas me vejo numa foto por ele enviada. O que nos une agora é um capítulo do livro "Amor na Guerra", que viveu.
    Como esteve na Brasil e agora nos Estados Unidos, tenho enviado bastantes informações de outros camaradas, alguns que já foram para o Além.
    Beijos

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  20. Olá, Bom dia,Marilene
    hehehe, e quem nunca passou por uma situação dessa, onde somos "traídos" pela memória, que com o passar dos anos ( mais de 40 anos,então) prega nos peças...é realmente uma saia justa…Mas, penso eu, e conforme vc fez, nada que não se possa resolver com delicadeza e simpatia e …quem sabe ,daí não nasce (ou renasce) uma amizade , que com certeza, essa, com uma boa memória...
    Obrigado pelo carinho, belo dia, beijos!

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