27 de mar de 2014

O SUSTO

(by Nick Minton)

                                                     
                                                      
                                                      
Diante de uma situação inesperada, daquelas que podem provocar sérias consequências,  alguns têm facilidade para encontrar a solução mais viável, enquanto outros se deixam levar pelo desespero, alimentando monstros invisíveis e optando pelo caminho errado.

Ansioso por tomar um café, ele colocou a água no fogo para ferver e voltou ao quarto. Enquanto esperava, encostou-se na cama, refletindo sobre uma questão profissional que o atormentava. O vento que entrava pela janela fez com que a porta batesse, assustando-o. Cansado, porém, acabou cochilando e, ao abrir os olhos, lembrou-se da água e correu para a porta. Encontrou-a trancada.

Enquanto tentava abri-la,  imaginava a cozinha pegando fogo. O apartamento, no sétimo andar, não lhe permitiria sair pela janela. Quanto mais se esforçava, sem resultado, mais se desesperava. Já estava até sentindo a fumaça se espalhar pelo ambiente e a proximidade de uma explosão. Tremia, pensando na morte iminente.

Muito nervoso, ligou para o filho. Nem conseguia explicar o que estava acontecendo e só pedia que ele fosse, imediatamente, até seu apartamento, para evitar uma tragédia. 
-Pai, respondeu ele em baixo tom, estou longe daí, fora da cidade, e não posso.
-Porque está falando baixinho , questionou. Venha já  para cá!!!
-Pai, repetiu o filho, estou muito distante. Ligue para a Lu.
-Distante, onde? Estou lhe dizendo que posso morrer!
-Pai, continuava o filho, no mesmo tom, estou em um motel fora da cidade.
-Como? Sua namorada não está viajando?
-Pai, não dá para conversar, sussurrava. Liga depressa para Lu.

Não vendo outra alternativa e suando frio, ele ligou para a filha e fez o mesmo pedido. Disse que o apartamento ia explodir e que morreria. Assustada, ela também lhe afirmou estar distante, na casa da outra irmã. E como a situação pedia providência urgente, esclareceu que não conseguiria chegar lá com a rapidez necessária. Sugeriu que arrombasse a porta e que ligasse para seu irmão.
-Já fiz isso e ele não também não pode. Venha rápido, pelo amor de Deus!

Ela se vestiu (acabara de acordar) e desejou ter asas. Até o elevador demorava. Dirigia apressadamente, quando o celular tocou. Viu que era seu pai e face à emergência, atendeu a ligação.
- Não precisa mais vir, ele falou. Consegui abrir a porta e está tudo em ordem. Devo ter cochilado por minutos e pensei haver passado um tempo maior. Por isso fiquei nervoso.

Mais tranquila, continuou o trajeto, pois precisava saber se, de fato, ele estava bem. Essas coisas só acontecem com meu pai, pensava. Ao chegar, encontrou-o dando risada e dizendo que o filho era um garanhão, enquanto lhe contava , sem saber do fim de seu namoro, que ele estava em um motel com outra.

Fiquei pensando sobre o que faria se estivesse no lugar dele e acredito que chamaria, primeiro, o porteiro. Na impossibilidade, os bombeiros (hehehehe). Ligar para pessoas da família, em uma situação dessas, apenas porque possuem a chave, não é a melhor solução, pois qualquer um levaria tempo para chegar e ainda passaria por grande estresse. 

Que arrombassem a porta da frente!!!


                                                              Marilene


24 comentários:


  1. Cara Marilene

    Este seu texto é uma preciosidade. Chama a atenção para situações que, encaradas na sua justa medida, poderiam ter soluções fáceis, que não implicassem o envolvimento de outras pessoas, quantas delas longe e sem possibilidades de ajudar. É certo que o pânico, muitas vezes, toma conta das pessoas mas temos de ver rapidamente quem é que por perto nos pode prestar ajuda. E certamente o porteiro ou os bombeiros,como bem referiu, e os vizinhos seriam os mais indicados para isso...

    Bj

    Olinda

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  2. Que sufoco,heim: E pode mesmo acontecer! E temos que saber que os filhos, sempre estão ocupados e em outros lugares.Cada um te a sua vida e nos resta resolver sozinhos, do jeito que der... Se tivesse chamado o s bombeiros, a ajuda viria antes dele quase morrer de susto,rs

    beijos,tu escreves muito bem e descreves situações...chica

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  3. Aaah! Nunca nada parecido me aconteceu, geralmente sou muito cuidadosa quando ponho qualquer coisa a aquecer; nunca saio da cozinha. Mas é algo que acontece quase sempre que o meu marido decide aquecer leite...o leite invade o fogão de certeza.
    Se me acontecesse uma situação dessas eu chamaria os bombeiros, sem dúvida.
    Bom saber que o filho da pessoa em questão não ficou a "chorar sobre leite derramado" e foi para o motel com outra!...;-)
    xx

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  4. Bom dia Marilene :)
    Numa situação dessas, provavelmente eu tentaria a todo custo arrombar a porta, se não conseguisse chamaria alguém.
    Nunca ligaria pra ninguém da família, pois não faz sentido assustar as pessoas,
    e causar pânico. Mas cada pessoa, reage de um jeito diferente quando se depara com situações inesperadas.
    Certamente, depois eu desabaria e me acabaria em choro, mas primeiro eu enfrentaria o que fosse preciso!
    Muito boa sua crônica!
    Bjs.

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  5. Eu nem sei o que faria, mas por certo não teria o celular perto de mim, pois sempre está bem longe, rsrsrs.
    Amei Marilene!
    Um abraçoq querida amiga.

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  6. Olá, Bom dia,Marilene
    bem, porteiro eu não tenho, então, penso que teria a mesma ação, ligar para meus familiares.Sei que podem e não vão conseguir chegar à tempo de me "socorrer" mas, que pelo menos estejam avisados, hehehe!
    esses mecanismos biológicos , susto, ansiedade, medo, é a capacidade de reagirmos ansiosamente diante das ameaças, é a nossa luta pela sobrevivência diante dos perigos concretos e próprios da vida. Por vezes, as ameaças são concretas e temos noção exata do objeto a combater (fugir ou atacar)...mas, hoje em dia, nesse mundo violento e competitivo, muitos desses objetos de perigos vivem dentro de nós. São abstratas, mas nem por isso menos agressivas; elas vivem, dormem e acordam conosco...ixii..acho q sai do tom...fui...
    Bom dia,Obrigado pelo carinho, belos dias,beijos!

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  7. o nervosismo e o medo não nos deixa raciocinar. Era bem mais fácil e comodo ligar para o porteiro e ele com certeza tomaria soluções mais rapidamente.
    Excelente. Sou mestra em esquecer coisas aquecendo no fogão. Levo cada bronca do meu filho que é bombeiro militar...
    bjs.

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  8. Marilene, que história bem contada, de modo a prender o leitor. De qualquer modo, mostraste ser boa contista. Gostei bem de me prender à história.
    Beijos

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  9. Os bombeiros seriam uma solução mais adequada, sem dúvida.

    Muito interessante a narrativa.

    Beijo

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  10. Nossa!! Já passei por certas situações com a panela do feijão! Senti o cheiro, o apartamento estava um caos, não enxergava muita coisa. E pior, eu parecia o Mr. Been! Resumo: o apartamento ficou com o cheiro de queimado durante 5 dias e no dia seguinte eu tinha um aniversário!!! rssss
    Levamos todos para jantar fora!
    Agora estou me policiando, já que almoçamos fora a coisa melhorou...rs, tem males que vem para o bem...
    Mas acho que em primeiro lugar é telefonar para os bombeiros!! E andar com o celular no pescoço.
    Beijos!

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  11. Olha, Marilene, não dá pra sabermos o que faríamos porque na hora do desespero o corpo age sem nos consultar. Ás vezes só nos damos conta do que fizemos tempos depois. Mas adorei a postagem. Bjssss e bom fim de semana.

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  12. Oi mana,

    Posso imaginar o desespero dele e dos filhos, sentindo-se impotentes para resolver a situação com a urgência requerida. Por isso acho conveniente ter na agenda do celular os telefones dos vizinhos mais chegados. Chamar os bombeiros somente em último hipótese, pois poderia causar um pânico desnecessário no prédio, como seria o caso. Até arrombar a porta fica difícil no momento, mas seria a melhor solução. Acredito que se ele não ligou para o porteiro foi porque não tinha o número da portaria. Também poderia ter ido até à janela pedir socorro, pois todo quarto possui uma janela-rsrs. Ainda bem que tudo terminou bem. Coitado do filho, que teve sua situação exposta-rsrsrs. De qualquer forma, é difícil presumirmos que atitude tomaríamos se estivéssemos vivendo a situação. Creio que o instinto de preservação grita mais alto e acabamos agindo dentro das possibilidades.

    Beijo.

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  13. Sinceramente, não sei que atitude tomaria numa situação desesperante com essa. Que nunca me aconteça!
    Beijo, Marilene, bom domungo

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  14. ღღ¸╭•⊰✿¸.•*ღ ღ¸╭•⊰✿¸.•* ღ¸╭•⊰✿¸.•*ღ ღ¸╭•⊰✿

    “Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade.”

    ― Cora Coralina...

    Com essa frase tão bonita deixo meu abraço de bom final de semana
    elogiando mais uma vez seu belo post, tenha um bom domingo

    ___________Rita!!!!

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  15. Oi Marilene querida, que susto que eu tomei ao ler! kkk
    Beijos e tenha uma ótima semana!!

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  16. rsrsrs é... o desespero não nos deixa raciocinar. Tudo é questão de momento. Acho que qdo estamos desesperados, perdemos o foco.
    Acho que eu tb ligaria para o porteiro, isso agora, friamente rsrsrs. Na hora... sei lá.
    Gostei!

    Abração e ótima semana.

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  17. Acredito que fatos desta natureza não aconteça comigo, pois procuro sempre estar acompanhado. Rsrs. Mas, caso aconteça, o aconselhável será chamar o porteiro e, posteriormente, o bombeiro se necessário. Bela crônica Marilene.

    Beijos e uma ótima semana para ti e para os teus.

    Furtado.

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  18. Concordo inteiramente com você, Marilene. Só não sei se a maioria tem a calma necessária para manter a lógica e fazer o mais acertado. Gostei do texto, boa semana.

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  19. Curiosa história rotineira, e muito bem delineada. Esse tipo de coisa acontece comigo quase sempre, porque ando esquecida demais rsrs... mas graças a Deus nunca chegou a esse nível de estresse.

    Passei também pra te ver, deixar um beijo e agradecer tua visita em minha casa, onde só as palavras falaram por mim. rs
    Ando meio enrolada com tanta coisa pra resolver... Sinto falta dos amigos dos meus blogs e da minha escrita. Mas espero em breve retornar.

    Beijo grande , minha amiga querida

    Lu C.

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  20. que arrombasse a porta da frente - ou a porta de trás, não?...
    numa emergência qualquer uma serve - para entrar e sair...

    gostei do suspense - (d)escreve deliciosamente!

    bem vinda.

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  21. Este comentário foi removido pelo autor.

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  22. Estando em uma situação assim, não sei como agiria, mas faria qualquer coisa pra resolver o problema. O nervosismo acredito que tomaria conta de mim, mas acho que o porteiro seria a minha primeira opção, e também a família.
    Sou muito cuidadosa quando estou com algo ligado na cozinha. A casa de minha prima ficou com a parede arrebentada devido uma panela de pressão que ela esqueceu ligada. Tenho muito medo de ligar qualquer coisa e deixar sozinho sem olhar...
    Esse texto nos chama a atenção pra esses fatos que acontece muito .
    Beijos e ótima semana!

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  23. Boa tarde,
    O desespero não nos deixa raciocinar e é inimigo, estamos sempre sujeitos a situações inesperadas e degradáveis, motivo que devemos aprender a ter autocontrolo para resolver com a calma necessária o que nos pode surgir.
    Abraço
    ag

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