27 de out de 2011

MEU GIRO DE ONTEM


                                                 
As relações humanas estão cada vez mais complicadas. Falta de solidariedade, de honestidade, excesso de intolerância, indisposição para ser agradável, não observância de regrinhas básicas que tornariam nossos dias bem melhores.

Fui ao supermercado para comprar poucos produtos e os coloquei, rapidamente, no carrinho. Nem tive a preocupação de contá-los. A moça do "caixa rápido", aquele por onde passam os que levam até dez volumes, estava desocupada. Comecei a colocar os objetos sobre a esteira e percebi que ela se levantou e olhou para dentro do carrinho. Devia ter uma bola de cristal porque me disse em tom nada amistoso: aqui só atendo quem tem até dez volumes. Olhei para trás e não havia ninguém. Ela preferia ficar ociosa a me atender. Continuei o que estava fazendo e ela repetiu a frase. Sem alterar a voz, mas já irritada, respondi: não se preocupe, vá contando. Levo dez e, se o número for maior, deixo o resto no carrinho. Com aquela expressão de felicidade ( que podem imaginar), ela foi registrando os produtos e eu os contando. Quando deu dez, parei. Pode fechar, eu lhe disse. Ela se esticou para olhar, mais uma vez, o carrinho. Duas garrafas de vinho, o que de mais caro eu objetivava adquirir, naquele momento. Como se estivesse me fazendo uma preciosa concessão, disse: pode passar o resto. Ela não precisaria ter sido tão indelicada no primeiro contato. Nenhuma de nós duas sabia quantos volumes estavam ali. Mas que eram poucos, não restava dúvida. 

                                                               
Saí de lá rindo da situação e me dirigi a uma farmácia, para comprar os remédios que minha mãe toma, diariamente. Situação inversa, querem vender de tudo e logo começam a falar das ofertas. Penso que ninguém vai a esse local para ver o que está em promoção, salvo para pesquisar preço de medicamentos, cada dia mais caros. Quando apresentei as receitas, a jovem olhou para cada uma delas, durante alguns instantes, e disse: venceram ontem. Não me preocupei porque sempre os compro com antecedência, para evitar falta de última hora, e ainda havia outros frascos em casa. Apesar de serem medicamentos controlados, não teria dificuldades para substituí-las. Já possuía outras. Antes que eu pudesse recolher as receitas, a vendedora se afastou. Ficou alguns minutos no interior da farmácia e, quando retornou, solicitou o preenchimento do verso das mesmas, como é exigido. Não estavam vencidas? Logo depois, me entregou os remédios, sorrindo, e disse que havia dado um jeito, porque encontrara uma caneta da mesma cor, o que lhe possibilitara alterar a data.  Não se pode, mesmo, confiar. Desse jeito, passo a ter dúvida quanto à data de validade deles, muitas vezes, difícil de decifrar.

Depois dessas, peguei um filme de suspense na locadora e resolvi voltar para o aconchego do meu lar (rss). 


8 comentários:

  1. Marilene

    Pior que é assim mesmo.Um absurdo as duas situações.
    Sabe que uma vez falei tudo bem vamos contar. Passei as dez e depois passei mais duas e disse: essas são da minha irmã que está comigo mas eu que vou pagar!
    Agora o preço dos remédios está um absurdo!!
    beijinhos

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  2. Mirelene

    É facto que saber fazer relações públicas, requer muita compreensão, muita versatilidade até paciência. Os teus patrícios que adoro, desde os vinte e seis anos, de qualquer modo, são exímios. Por dever de oficio coordenei a ediçâo portuguesa, do especialista brasileiro Dr, Penteado com quem conversei em Lisboa. Se era considerado especialista, li e reli o livro, porque nunca será demais a procura de aperfeiçoamento.
    Beijos

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  3. É impressionante como certas pessoas podem ser dotadas de tanta má vontade. A funcionária do supermercado é um exemplo disso. Já o "jeitinho" que muitas péssoas gostasde usar pra levar a vida, confesso que às vezes me assusta.
    Conheci seu blog hoje e adorei. Já sigo!
    :)

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  4. Querida amiga
    Permita-me que faça uma pequena correção ao seu texto. Em vez de "indisposição para ser agradável" eu diria "grande disposição para ser desagradádel!"
    Parece que a cada dia que passa as pessoas andam com menos vontade de ser simpáticas.
    Já tenho comentado que não sei o que se passa, (será da crise???) mas o mundo está a precisar de dar uma volta da cabeça para os pés :)

    Continuação de boa semana. Beijinhos

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  5. Olá MANA,
    Esta do supermercado já aconteceu comigo por diversas vezes. Mas faço como você; vou dizendo logo que o que exceder eu tiro.
    Creio que é falta de preparo por parte do serviço de pessoal. Eles deveriam dar cursos de treinamento e exigir que os gerentes ficassem atentos quanto à maneira dos funcionários se relacionarem com os clientes.
    De qualquer forma, você disse bem. Falta uma grande dose de boa vontade e de gentileza.
    Beijos.

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  6. Um relato do momento atual, também por aqui. Já me aconteceu no supermercado. Porem como estava com o marido, mandamos separar a conta e ela não teve outro remédio senão registar. Eram 13 coisas.
    Quanto às receitas é que aqui não há nada a fazer, pois só são aceites receitas passadas pelo computador e sem qualquer hipotese de mexer.
    Um abraço e bom fim de semana

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  7. rssss Ahhh lindona só rindo mesmo.

    Não guento esse povo, mas eu faço como vc, continuo e o que sobra penso em deixar, mas me pergunta, se elas deixam ficar, não neh, terminam de passar tudo, já que não tem ninguém atrás de mim e isso é em muitos outros lugares.
    As pessoas estão totalmente sem noção e sem gentilezas ou talvez sem treinamento pra lidar com o publico.


    beijos querida.
    ótimo fim de semana.

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  8. Marilene, o que você aqui retratou é uma realidade que faz parte do nosso cotidiano, lamentavelmente. No dia a dia agente sempre acha que já viu de tudo e quando se dá conta, percebe que ainda não viu nada. Ainda bem minha querida, para nossa alegria, que existem as exceções. Um beijo no seu rico coração.

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