29 de out de 2011

DITOS POPULARES

                                                                 
Alguns ditos populares venceram o tempo e, ainda hoje, traduzem sabedoria. Em algumas situações, logo nos lembramos deles. Intelectuais não os citariam, em hipótese alguma, com receio de apresentar algo que costuma estar em parachoque de caminhões, na boca do povo. Mas eles vão acompanhando as gerações e muitos traduzem verdades.

Hoje, porém, me chamou a atenção aquele que diz : cão que ladra não morde. Eu o ouvi, por diversas vezes, na infância. Quando alguém recebia uma ameaça, esta era descartada, eis que o entendimento estava baseado no fato de que, se alguém a proferiu, foi só "da boca pra fora". Quem deseja praticar um ato, realmente, não o proclama "aos quatro ventos".

                                                         
A realidade tem mostrado que cães que ladram mordem. E como! Hoje, não se pode desconsiderar qualquer ameaça. Muitas vêm a ser conhecidas depois que a tragédia ocorreu. Alunos que dizem aos professores que vão esperá-los lá fora, que vão se vingar, que vão pegá-los no escuro, há que serem considerados perigosos. Não se pode mais virar as costas, acreditando que se trata de um arroubo juvenil. Marido que afirma matar a mulher, se ela o deixar,  também é motivo de atenção especial. Essas ameaças devem ser levadas ao conhecimento das autoridades, antes que se consumem as agressões e assassinatos.

Estamos sendo cientificados, a cada dia, de mais casos da natureza. Nem os órgãos policiais lhes dão a atenção devida. Sequer se dispõem a registrar as ocorrências. Ainda acreditam no velho ditado e alegam ter coisas mais importantes a tratar, salvo se o denunciante se apresentar com ferimentos que comprovem os atos criminosos. Aliás, mesmo com eles, ainda tentam remediar a situação, com simples pedidos de desculpas apresentados pelos "criminosos". Na verdade, é o que são. E contam com a complacência de seus familiares e amigos, sempre a elogiar suas condutas e a certificar que o ocorrido foi um ato isolado.

                                                      
A humanidade se transformou. O mundo evoluiu. E as pessoas passaram a desvalorizar a vida humana, a desrespeitar vontades e direitos. Assim, antes que se consumem as ameaças, melhor tomar medidas acauteladoras. Quem as sofre, em qualquer nível, deve esquecer aquele dito popular e buscar ajuda. Quem tem propensão à agressão, quem não consegue  controle sobre si mesmo, funciona como uma bomba, prestes a explodir. E antes que os estragos se tornem irreversíveis, pais, amigos, sociedade, ofendidos, devem soltar seu grito de alerta, sem acobertar esses fatos, sob pena de carregarem, por toda a vida, um sentimento de culpa devastador.

(Imagens retiradas da internet. Na hipótese de, inadvertidamente, estar ferindo direitos, gentileza avisar, para imediata regularização)

13 comentários:

  1. Oi, Marilene!
    Muito bem explanado e oportuno seu ensaio!
    Olha, creio que devemos levar a sério qualquer ato ou palavra que nos ameaça, pois, como bem você argumentou, a vida hoje, para muitos, não tem valor. Já vi casos de morte por causa de apenas um real. A causa foi irrisória, mas a vida, estou certo de que não tem preço.

    Parabéns pela virtuosidade!

    Abraços do amigo de sempre!

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  2. Amiga Marilene, muito bom o teu texto feito de argumentação consistente.
    Quanto a falta de ação da polícia antes da concretização do delito é impressionante, pois muitas, todo mundo sabe que fulano jurou beltrano de morte, a polícia também, entretanto, ela só vai agir após o desfecho do crime.
    Um abração. Tenhas um lindo fim de semana.

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  3. Particularmente, adoro os ditos...

    Queridona, tô voltando de um intragavel problema de conexão... prazer ta de volta aqui no seu ninho....


    bjs meus

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  4. Marilene penso também que o que sai da boca de alguém vem de algum lugar de dentro, é visceral e pode mesmo fazer mal.
    Belo texto!!
    Beijos

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  5. Mari...realmente,os cães que ladram,mordem sim...e como vc mesma disse : e como!
    Devemos tomar cuidado dobrado agora,pois além de nos preocupar com os que não ladram,temos que não preocupar com os que ladram...e enfim,com todos,pois nunca sabemos com quem estamos vivendo...portanto,cuidado! é isso que todos precisamos.
    Legal o texto,bom para que pensemos mais a respeito disso...
    Beijos,bom final de semana.

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  6. Marilene
    Excelente seu post.
    Muito claro, consistente, profundo e verdadeiro.
    E que imagens perfeitas! Parabéns e temos mesmo que agir nesses casos preventivamente.
    Beijinho

    Lucia

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  7. Marilene

    Como nasci e vivi numa aldeia até perfazer vinte anos, conheço bem o dito. Anotei muitos, locais, no meu primeiro blog (noutra plataforma, o meu diário que perdura!), de qualquer modo são os ditados populares e os pensamentos, que acho ajudam um espírito sedento de cultura.
    Da transformação do mundo, fazes e muito bem reparar e chamar a atenção para uma nova leitura. Que melhor exemplo: "cão que ladra não morde"!
    Ao fim e ao cabo já dantes não seria bem assim. Um caso da minha aldeia em 1950: O senhor Elias, homem remediado, no lugar e no tempo. Por tudo e nada, dizia que um dia se suicidaria, tanta vez e tantos anos disse, que já ninguém fazia caso - "cão que ladra não morde"! Um dia apareceu dependurado numa corda, num barrote, e um banquinho debaixo dos pés. Tinha dez anos, andava na escola e num intervalo fui com a malta ver o "espectáculo".
    Beijos

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  8. Tens toda a razão, hoje os cães que ladram também mordem...
    Querida amiga Marilene, tem um bom Domingo.
    Beijos.

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  9. OI MANA,
    Você está certa. De geral, as palavras costumam
    sair do coração. Quem faz uma afirmação nesse
    sentido é bom considerar, pois soa quase como um alerta. O desequilíbrio anda rondando por toda parte e é melhor mesmo que a cautela fale mais alto. É melhor prevenir.
    Beijokas.

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  10. Marilene, é lamentável a maneira como a vida humana parece está desvalorizada. E o que é pior, as pessoas parecem não se comoverem mais com os atos de violências e barbaridades que por vezes assistimos por aí. Tudo isso com uma certa cumplicidade de muitas autoridades desse país. Ótimo e oportuno texto, você publica. Um beijo no seu coração.

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  11. olá querida!

    perfeito!

    muitas da vezes me pergunto se existe diferença entre nós e os animais?
    sim eles são mas nobres! (é claro que não estou generalizando).ainda existe pessoas boas,
    prontas a fazer o bem sem olhar a quem!)
    um abração!

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  12. Mari,
    é verdade, e como mordem!
    Tanto no âmbito racional como irracional...
    A crueldade vista por aí, não tem espécie, e pode bater na porta de qualquer um...

    Bjoo!

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  13. Gostei bastante!
    Suicídio, é algo que devemos prestar bastante atenção, nem que seja um acto em falso, mas se a pessoa o fez é porque está com necessidade de ajuda.
    Grande beijo.

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