21 de out de 2011

CARGO X CAPACIDADE

                                                                                       
Seria de grande valia para todos nós se as pessoas que ocupam determinados cargos possuíssem, realmente, competência para desenvolver as atividades que os acompanham. Quando as procuramos, levamos essa crença e, se incautos, nos farão de vítimas.

Eu gostaria de ser uma pessoa bem pacífica, daquelas que ouvem e, se não satisfeitas, retiram-se sem se alterar. Gostaria de ter, ao longo da vida, adquirido essa sabedoria. Mas quando me vejo diante de certas situações, sinto o sangue correr nas veias e meu lado poético, lírico, é coberto por espesso nevoeiro, no qual só ficam aparentes as "garras". E tenho vontade de usá-las, sem dó, mesmo que, depois, elas se voltem contra mim, provocando uma úlcera (rss).

Estou negociando um pequeno apartamento e, na primeira reunião, o gerente da imobiliária , não confiando na alfabetização das partes, resolveu fazer a leitura, em voz alta, da minuta, quando o correto seria entregar uma cópia para que cada um tomasse conhecimento de seus termos. Conclusão: ele lia e eu o interrompia porque as condições ali especificadas não estavam de acordo com o que eu previamente combinara. 

                                                                       
De repente, me perguntou se  já ia efetuar o pagamento de sua comissão. Tive vontade de rir. Perguntei quem o havia contratado, pois não fora eu e não me cabia qualquer pagamento da natureza. E ele insistia, queria o dinheiro, imediatamente. Tive que usar o mesmo tom de voz com o qual se manifestou, para "informar" que a remuneração pelos serviços prestados caberia ao vendedor. Este, afirmou que não estava recebendo o preço, pois ainda deveria quitar o imóvel, hipotecado a uma instituição financeira, razão pela qual não poderia atender o pedido. Saí de lá com dor de cabeça.

Quando da entrega antecipada das chaves, condição contratualmente prevista, ele me perguntou, mais uma vez, pelo tal pagamento e se mostrou surpreso quando informei que esse ato nada tinha a ver com a compra e venda, propriamente dita, tratava-se de liberalidade acordada, pois caberia ao proprietário providenciar a baixa da hipoteca. Outra discussão teve início e poderia ter sido evitada se ele tivesse lido, atentamente, o que ele mesmo escrevera.

                                                            
Quando a instituição financeira forneceu o documento de quitação, recebi mais uma ligação desse "bem preparado" senhor, dizendo que ia providenciar a escritura definitiva e que eu deveria efetuar o pagamento de sua comissão. Que coisa! Ensinar b+a = bá, a quem já deveria saber ler, é complicado e gasta nossas energias. Tive que repetir tudo, outra vez. E nem o pagamento do preço combinado iria efetuar, já que não fora lavrada a escritura. Como? perguntou ele. Não foi isso o combinado! Minha vontade era a de "mandar" que procurasse um advogado e lesse o contrato. E perguntei  se, em sua vida profissional, tinha encontrado alguém que pagasse por um imóvel antes de dar uma passadinha lá no Cartório de Notas, assinando o documento legal competente.

O entendimento estava impossível. Ele voltou a me telefonar, tentando impor, no grito, seus objetivos. Cansei. Expedi uma notificação, falei tudo que estava errado, expliquei, palavra por palavra, as responsabilidades de cada um e informei que, se não adotasse a postura que se impunha, estaria rescindido, de pleno direito, o compromisso, cabendo-me a devolução da entrada e o ressarcimento pelos prejuízos que me causou, na forma contratual.

Com certas pessoas, só assim mesmo. 

Escrevi isso porque encontrei, em minhas mensagens, uma resposta delicada, por ele expedida, dizendo que não me preocupasse , pois tudo seria resolvido, sem percalços, na forma combinada e por mim objetivada.

Fiquei pensando nos grandes negócios que essa imobiliária já deve ter perdido, pela incapacidade, tanto informativa, quanto de trato pessoal, desse gerente. E quantos já deveriam ter-se submetido a sua voz autoritária, assumindo riscos desnecessários, despesas não devidas, por se sentirem "seguros" lidando com o "gerente" da unidade.

A novela ainda não terminou mas espero que, daqui para a frente, ele me devote o merecido respeito , estendendo-o às outras mulheres que lá comparecerem, aparentando fragilidade, mas conhecendo seus direitos.

3 comentários:

  1. Oi Marilene,
    Vc agiu muito bem, mas já vi donos de imobiliária pressionarem o cliente até receberem quantias indevidas. Aconteceu com minha mãe, que era uma pessoa pra lá de esclarecida, mas para se ver livre da encheção do corretor, pagou o que não devia.
    Tem sorteio de um "kit de beauté" lá no blog, se vc ainda não estiver participando, vou ficar feliz se participar.
    Beijos 1000 e um final de semana maravilhoso para vc.

    http://www.gosto-disto.com/2011/10/sorteio-de-beaute-beautys-giveway.html

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  2. MANA,
    Que aborrecimento, hein?
    Você ainda é uma pessoa preparada e teve como contestá-lo à altura. E as pessoas que não têm conhecimento na área, como ficam?
    Em todos os ramos há pessoas assim, com perfil inadequado e conhecimento insuficiente para atuarem nas funções que ocupam, infelizmente!
    Tomara que tudo se revolva a contento!
    Beijos.

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  3. De fato Marilene, imagino seja um aborrecimento desgastante tal situação. É preciso muita habilidade, um pouco de conhecimento da situação para não perder a razão e ser passada para trás. É preciso se manter muito vigilante nesses casos. Um beijo no seu coração.

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