2 de ago de 2011

FRAGMENTANDO MOMENTOS

                                                                 

Sem mais nem menos, costumamos nos lembrar de ocorrências do passado. Talvez tenham sido despertadas por alguma notícia que lemos, um comentário que ouvimos... e nos encontramos a fragmentar momentos que julgávamos perdidos nas lembranças.

Minha irmã costumava passar alguns dias de suas férias comigo e nosso passeio preferido sempre foi ir à praia. Certa vez, passamos o fim de semana juntas e retornei a SP para trabalhar. Ela queria aproveitar o sol, a água do mar, e ficou mais uns dias, sozinha. Encontrava-se na areia, tranquila, quando foi abordada por um rapaz. Não lhe deu espaço para iniciar uma conversação, não era isso o que buscava, mas, tão somente, tranquilidade. O rapaz insistiu,  e ela o descartou. Inconformado, perguntou ele se ela não era chegada ao sexo oposto. Não tendo dúvidas quanto a sua opção (tinha num relacionamento feliz), nem discutiu, fazendo com o mesmo se afastasse. Como podem ser tolos os homens! Para não se sentir rejeitado (nem era o caso), preferiu atribuir a ela uma razão que jutificasse seu desinteresse. Quando voltei, no sábado, acabamos rindo da situação.


(imagem de domínio público)
                                                          
Em outra oportunidade, estava com amigas em um restaurante. Fazia tempo que não nos reuníamos e todas tínhamos o que contar. Conversávamos e ríamos bastante. Dois homens que se encontravam na mesa ao lado, tentaram uma aproximação. Não tiveram êxito. Primeiro, porque não agradaram a nenhuma de nós. Depois, porque nossa reunião tinha outro objetivo. Um deles, então, me perguntou se éramos um time de basquete. Sinceramente, não entendi o questionamento. Comentando com elas, fiquei sabendo que ele, sentindo-se rejeitado, preferia pensar que nossa opção sexual nos levara a descartar a companhia deles. Mais uma vez, a insegurança predominando e levando a concepções irreais. Acabamos, também , nos divertindo com a falta de maturidade deles e de sua necessidade de pré julgar para não se sentirem rejeitados. Em nenhum momento, acredito eu, pensaram na real possibilidade de não terem agradado.

(imagem de domínio público)
                                                        
Houve uma época em que usei meus cabelos bem curtos. Era tendência e facilitava meu dia a dia, já que são encaracolados. Marquei de encontrar os amigos em um bar. Quando desci do carro,  dois rapazes começaram com suas "gracinhas". Com passos firmes, segui adiante, mas não pude deixar de ouvir o comentário, feito em alto e bom som: é homem! Sempre fui alta e magra, trajava uma pantalona preta, tipo toureito (estava na moda), bem elegante, com camiseta regata e blazer. Confesso que fiquei magoada e passei a deixar meus cabelos crescerem. Aquilo me traumatizou (hehehehehe). Hoje nem daria importância, mas naquela época, me deixei afetar pela bobagem.


MorgueFile (free)

                                                            
Nossas lembranças ficam bem arquivadas e independe de nossa vontade trazê-las à tona. E quando surgem, podemos rir de nós mesmos , de nossos tropeços, de nossos medos já superados.  De tantos momentos engraçados pelos quais passamos. Também nos lembramos dos que deixaram cicatrizes, mas o tempo os encobre tão bem que, ao ser recordados, nos possibilitam uma visão muito diferente dos fatos.

11 comentários:

  1. Muito do que nos rodeia está relacionado com o sexo. E é muito mais do que se pensa... basta ver os 3 episódios que relataste...
    O aspecto continua a ser o ângulo de apreciação predominante. À maioria dos homens e das mulheres, não interessa muito a beleza interior. Fixam-se no que é óbvio...
    Querida amiga Marilene, tem uma boa semana.
    Beijo.

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  2. Bom dia

    Encontei este blog navegando na rede e parai para dar uma lida, pois achei muito interessante os post. Li quanto a insegurança dos homens que você comentou e a questão de sentir-se rejeitado. Gostai bastante do seu português e da maneira como você colocou as coisas. Contudo, acho que essa questão de os homens serem inseguros deve ser também estendida às mulheres porque como você relada uma experiência pessoal, também devo confessar que já passei por situação semelhante com uma amiga que veio questionar minha sexualidade por não querer transar com ela, coisa que fulminei prontamente. Nada contra os homossexuais mais eu gosto das mulheres em todos os sentidos, com todas as suas TPMs e alterações hormonais, que por vezes irradia-se, para o convívio social afetando assim o dia-a-dia.

    Tenha um excelente dia

    Brazilianbloke

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  3. É desta força que todos necessitam. Infelizmente, passamos por situação, todos, como essas.

    Adorei o texto; super leve.

    Abração.

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  4. Olá, Marilene

    Gostei muito de seu texto.
    É bem verdade que dum modo geral, o homem não aceita bem sentir-se regeitado (ninguém gosta...), e procura sempre uma desculpa para isso, partindo da certeza de que o problema não está nele.
    Penso que a mulher, pelo contrário, ao sentir-se regeitada (o que também custa a aceitar...) pensa logo: o que há de errado comigo?

    Outro ponto em que acho que vc tem razão é em como os acontecimentos perdem força quando lhes passam uns anitos por cima:)
    Conseguimos, hoje, rir de coisas que nos afetaram muito há uns anos trás...

    É, o tempo cura muita coisa...

    Uma semana feliz. Beijinhos

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  5. Acho é típico do ser humano querer sempre arrumar uma desculpa para a rejeicao, e a melhor delas é tentar ofender na tentativa de revidar. Uma bobagem! Na verdade a gente acaba dizendo eles sao gays quando a situacao é o contrário hehe Só que pra eles deve ser pior porque sao homens e normalmente sao os "caçadores". Quer dizer, disse bobagem agora, porque acho há igualdade já nesse "quesito".

    Adorei tua conclusão, porque é bem isso mesmo, o que nos causou constrangimento um tempo atrás, hoje é visto de outra maneira e nem incomoda.

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  6. OLÁ MARILENE!!!
    CHAMAREM-TE DE HOMEM. ESSE INDIVIDUO, PRECISAVA DE IR AO MÉDICO. MULHER É SEMPRE MULHER. ACONTECIA NOS IDOS ANOS 6O, UM A PESSOA EUVOCAR.SE AO PENSAR QUE ESTAVA A VER UMA MULHER E ERA UM HOMEM, COM CABELOS BEM MAIS COMPRIDOS DO QUE AS MULHERES DE ENTÃO. UM SUJEITO, POR VEZES ENGANAVA-SE. COMO DIZES E BEM, O TEMPO CURA TUDO. TAMBÉM ME RIO DE SITUAÇÕES RECAMBOLESCAS DA MINHA VIDA QUE PASSARAM. TEM UMA EXCELENTE SEMANA. DAQUI DA TERRA DO SAL, DA AMIZADE E DO AMOR, RECEBE BEIJOS COM SABOR A AMORAS...

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  7. Que minha solidão me sirva de companhia.
    que eu tenha a coragem de me enfrentar.
    que eu saiba ficar com o nada
    e mesmo assim me sentir
    como se estivesse plena de tudo.
    Clarice Lispector
    Aceite com carinho minha
    mensagem.
    Beijos no coração Vou te Amar
    Sempre,Evanir..

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  8. Agora que você postou a respeito, lembro-me de momentos em que me vi rindo sozinha por causa de lembranças de fatos similares.
    E, realmente, com o decorrer do tempo, acontecimentos que nos marcaram negativamente acabam sendo lembrados com pitadas de humor.
    Bem lembrado.
    Beijos.

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  9. Muito legal o texto Mari... bem lembrado essas lembranças...hehe...
    Beijoss

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  10. Estou resgatando algumas lembranças também, como você deve ter visto lá no Vida de Rata, são experiências que nos fazem rir de nós mesmas. Isso é muito bom ...
    Bjs.

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  11. Ai, ai, assim como as roupas e o cabelo que condiziam à época, são as nossas atitudes, não é mesmo? Hoje, eu não vestiria roupas que usaria há alguns anos, e também não vestiria reações que me seriam comuns anos atrás. É a evolução, em todos os âmbitos e aspectos. Mas a maior, é a interior. Olhar para si mesma e ver uma mulher independente do cabelo ou do que for, é o que te faz realmente mulher, realmente feminina. Às vezes precisamos apenas de tempo para nos descobrirmos não apenas mulheres, mas seguras, seguras de nós mesmas, autoconfiantes e suficientes.
    Amei o texto, Mari. Como sempre, para ser sincera. Estive ausente, minha amiga, mas não a esqueci, viu?! Que saudade senti... Saiba: Você é hiper especial e alguém que admiro muito, como escritora e como pessoa.

    Um beeeijo beeeem grandão,
    Débbie.

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