22 de ago de 2011

EM NOME DO AMOR !


                                                                       

Ele estava enlouquecido. Não conseguia trabalhar. Olhava os documentos sobre sua mesa e em todos lia o mesmo nome, aquele que já procurara na lista telefônica e cujo endereço anotara. A secretária já não sabia mais o que fazer.  Os amigos que lhe telefonaram naquela tarde foram logo descartados, com a costumeira frase: depois ligo, estou ocupado. O dia não terminava. Foi até a janela e viu um casal de namorados a caminhar, sorrindo, pela calçada. Deve ser um sinal, pensou. Ia resolver seu problema de uma vez por todas. Vestiu o paletó e saiu sem se despedir.

Entrou no carro e, por um instante, pensou no trajeto. Saiu em velocidade e nunca xingou tanto no trânsito. Tinha a sensação de que todos o estavam impedindo de chegar a seu destino.


                                                               

Estacionou na frente à casa e tocou a campainha. Uma jovem senhora abriu a porta e ele perguntou pelo homem que procurava. Ela se identificou como sua esposa e informou que ainda não chegara do trabalho. Sem ser convidado, entrou, sentou e disse que ia esperar. A mulher, assustada, ofereceu café ou água, que ele recusou. Estava apavorada com o comportamento dele e lamentou estar sozinha . Felizmente, pensou, o marido não ia demorar.

Ao ouvir a chave na fechadura, ela foi, imediatamente, para a porta. O marido entrou e, ao ver o desconhecido, deu boa noite e esperou que ele dissesse o que desejava. O homem, já de pé, perguntou seu nome. Ao ouvi-lo, desculpou-se, alegando ter-se enganado, e saiu. Provavelmente, até hoje, e já se passou bastante tempo, aquele casal  não faz a mínima idéia do que aconteceu. Devem ter pensado que ele era louco.

E estava louco, realmente. Se tivesse encontrado a pessoa que julgava residir ali, estaria na página policial, pela manhã.



Foi para a casa da namorada , em silêncio. Esse era seu comportamento quando remoía alguma coisa. Implicou com tudo e deixou-a ansiosa e nervosa.  Ao amanhecer, depois da noite insone, não aguentou e contou o que fizera. Ela não sabia se ficava apavorada ou se ria.  Doce e amiga, mostrou-lhe o dano que poderia ter causado, se tivesse conversado com a mulher da pessoa que visitara. E como fora inconsequente!

Sua raiva ainda não havia passado e fez ameaças. Se seu ex-namorado telefonasse, outra vez, ele o encontraria, onde quer que estivesse. Dessa vez, um homônimo impediu uma fatalidade. Ela se sentiu, no íntimo, feliz com o ciúme do amado. Nem parou para analisar como seria sua vida em comum com ele. Acreditou que tudo passaria, que essa insegurança teria fim. O ex ligou, novamente, mas optou por  lhe contar o ocorrido e pediu que não voltasse a fazê-lo. Obviamente, ele entendeu.  E ela nada disse a seu amado.


                                                                

Casou-se com ele (rss). E muitas outras vezes enfrentou delicadas situações por causa de seu doentio ciúme. Cheguei a dizer a ela, amiga querida, mulher independente e bela, que optasse por si mesma e fosse viver sua vida, sem ele.  Mas ela preferiu ficar. E como sofreu!!!!  Ele já mudou muito, mas ainda é o galo de briga que ela conheceu.   No caso deles, a tragédia ficou restrita a brigas terríveis, a gritos e ofensas verbais, sem outro tipo de violência.  Não há marcas físicas, mas cicatrizes provocadas por palavras e que nunca se esquece.

Quando o ciúme é doença, a melhor opção é fugir logo, antes de estabelecer uma relação mais séria. É uma ilusão acreditar que as pessoas vão mudar. Podem até fazê-lo, mas para pior, para a agressividade e até o assassinato.  EM NOME DO AMOR !


18 comentários:

  1. Marilene

    Que bela história, que poderia inserir-se nas do conto policial. Porém o epílogo?
    Contém uma ideia muito real. Efectivamente a esquizófrenia faz com que as pessoa que sofrem do mal, jamais se adaptem. A verdade é o seu imaginário e nunca a realidade.
    Beijos

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  2. Muito real, afinal assistimos quase sempre nos telejornais notícias de crimes passionais.
    A princípio tudo pode parecer lindo, romântico até, mas com o tempo o ciúme doentio sufoca, maltrata colaborando para que a vítima se anule completamente se não for capaz de reagir.
    Bela postagem.

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  3. Uma vez estava eu lendo tranquilamente o noticiário na Internet quando vejo um crime desses, "por amor", em um jornal em Curitiba (sou de lá), e nao é que a surpresa que a assassinada era minha amiga? Quase caí da cadeira! Quantas vezes as amigas a "preveniram", inclusive eu, mas nao há o que faca as pessoas se conscientizarem que as pessoas nao mudam, como você bem disse.

    Beijos!

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  4. OI MARILENE!!!
    UM POUCO DE CIÚME, NUMA RELAÇÃO, PENSO QUE ATÉ SERÁ SALUTAR. AGORA CIÚME DOENTIO, NUNCA, TUDO O QUE É DEMAIS, É MOLÉSTIA. TEM UMA BOA SEMANA. BEIJOS....

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  5. Este cantinho,muito íntimo ,é delicioso.
    O ciúme ,ás vezes, tempera o amor,mas,tudo demais é sobra. bjs

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  6. Oi Marilene, O ciúme as vezes é até bom, mas quando muito doentio trás muitas dores e grande tragédias.Deixo um beijo grande e desejo de um ótimo começo de semana. Abraço!
    Smareis

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  7. O ciúme mata o amor de várias formas.
    Melhor é saber administrá-lo na dose certa.
    Beijos e boa semana querida!
    Carla

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  8. No começo o ciúme é gostoso, faz com que nos sintamos importantes, desejadas, amadas. Com o tempo, se for exagerado vai virando tortura, e como você mesma disse, pode chegar até a coisas mais graves.Belíssimo texto.
    Bj

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  9. retribuindo a visitinha no meu espaço em nome do amor e da amizade deixo aqui um grande beijinho.

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  10. Com certeza, o ciúme há de ter dose certa.
    Quando nos deparamos com um parceiro excessivamente ciumento, é melhor mesmo "cair fora" antes que laços mais fortes agasalhem a relação.

    PS: (Minha vida daria um romance-rsrsrsrsrs).

    Beijos.

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  11. Marilene,
    Tem dois selos para você lá no meu espaço de selos. Intitulam-se "Best Blog" e "Este blog me tira do tédio". Pegue quando quiser.
    Beijos.

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  12. Pois é Mari...infelizmente existe isso...e não é apenas uma história fictícia onde tudo é fantasia.Todos os dias há milhares de mulher que apanham por ciúmes,doença,ou qualquer outra coisa...o fato é que apanham,e muitas caladas.
    Em nome do "amor",muitas vezes se faz muitas coisas terríveis que não deveriam ser consideradas por motivos amorosos,e sim por motivos doentios...
    Mas faz o que !?
    Além de não se envolver com pessoas agressivamente ciumentas,não há nada que possamos fazer.Só pedir a Deus pra que isso não esteja se repetindo a cada dia mais.
    Gostei muito do texto e da reflexão.Ótimo assunto abordado.
    Beijos e uma ótima semana.

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  13. É amiga, esse o amor doentio mesmo! Tanto ciúme assim num tem nada a ver com o amor lindo e doce, pois ele traz muito sofrimento e tudo diz-se fazer por ele!!! Infelizmente tem muitos casos iguais a esse por ai!

    bjokitas mil. :)

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  14. Sou muito ciumento, até me considero doente(rs), mas não a chegar um ponto de agredir fisicamente, muito menos matar.

    Vivo dizendo q o ciume virtual é pior ainda, daí a melhor política é não acompanhar os passos da pessoa amada no mundo cibernético.

    Ao acabar de navegar no seu outro blog, me lembrei de um amigo virtual da minha amada, quando ela tinha um perfil orkutiano, ele se despediu dela, dizendo: "sinta-se beijada", eu tive ímpetos de ir até sua página de recados e dizer: sinta uma porrada!rs

    Me desculpe o desabafo, Marilene.

    Tudo de bom!

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  15. Marilene , e nesse ritmo louco da vida, que tem deixado muita gente à beira de um ataque, está se tornando cada vez mais perigoso lidar com situações desse tipo. As reações tem sido cada vez mais explosivas e violentas. A possessividade (eu acho que influenciada ao apego por posses materiais) está deixando quase todo mundo com a sensação de ser dono uns dos outros e não companheiros, amantes. Meu abraço. Paz e bem.

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  16. Parabéns pela história e pela maneira como desenvolveu todo texto, sem perder o Time. Um beijo no seu coração.

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  17. Marilene querida, amanhã, 24/08, o Blog Projetando Pessoas completa 1 ano de existência! Sua atenção e gentileza fizeram a diferença nesse período! Espero você para um brinde!
    bjs Sandra
    http://projetandopessoas.blogspot.com//

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  18. Nossa,Marilene...

    Li com o coração apertado...ah!!Conheço bem esta situação...e o pior é crescer com um casal destes, como filha não se pode fazer nada, só assistir as intermináveis brigas(que no caso da minha mãe e padrasto, viravam agressões físicas...), e ouvir sempre a mesma desculpa: um dia ele muda, não posso deixá-lo, eu o amo! E onde o amor está no meio desta loucura??? Ilusão achar que alguém assim vai mudar...mas tem gente que não se convence...
    **O bom( se é que tem...) é que aprendi com a vivência dela, jamais me relacionaria com alguém assim...ela me dizia que isso era impossível e que todos os homens são iguais...
    Meu casamento é a prova de que isso não é verdade, tem amor, respeito e confiança!!
    Ih!!Desculpe...já falei de mais...
    Mas este assunto...ainda é um mistério pra mim...porque tem tanta mulher que se sujeita???

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