5 de jul de 2011

ESCOLHA DE CAMINHOS


                                                                    


Todos os dias nos vemos frente a situações que nos compelem a tomar decisões sobre alguma coisa. Pode essa coisa ser simples , afetar apenas a nós, ou ter influência sobre a vida de terceiros. Mas não podemos fugir ao ato. Encontra-se em nossas mãos. Isto não significa que temos poder, mas que nos cabe o dever de nos posicionarmos.

Ontem, a empregada me disse que a pressão de minha mãe estava alta. Tomei o café da manhã pensando sobre minhas opções a respeito. "Decidi" dar a ela mais um comprimido, não obstante já tivesse ingerido um, mais cedo. Mas resolvi não sair de casa e aguardar o resultado. Passados uns quarenta minutos, pedi que fosse, mais uma vez, medida sua pressão. Ela não queria e fui imperativa, dizendo que era necessário. Muito bem, a pressão já havia estabilizado e pude ficar mais tranquila. De nada ia adiantar levá-la ao médico, pois sei que é hipertensa. Tinha que adotar um procedimento e o fiz, mesmo sem poder avaliar as consequências. Caso não tivesse dado resultado, então iria a um hospital, pois ela tem 85 anos e há risco de derrame, entre outros.


                                                             

Eu me lembrei, então, de algumas decisões que tomei, muito arriscadas, pois não eram relativas, diretamente, a mim. Meu pai foi acometido de esclerose precoce (informação médica) e, depois de uma queda, permaneceu vários anos na cama. Perdeu a lucidez com o tempo e não tinha como ajudar na fisioterapia. O que podíamos fazer por ele, em termos de conforto, providenciamos. Cama hospitalar, colchão de água, enfermeira. Graças a Deus ele não estava lúcido, porque jamais aceitaria a idéia de suas filhas o verem nú, trocando fralda ou dando banho. Certa vez, me ligaram (morava em SP), informando que ele estava hospitalizado. Vim, imediatamente, e fiquei chocada. No hospital, as enfermeiras falavam com ele sem atinar para o fato de que não estava entendendo. Questionei o médico sobre a internação e ele me disse que era necessário um exame cujo equipamento só existia em sua clínica particular. O que ele iria ficar fazendo lá, então? O médico assinalava a necessidade, mas não me convenceu. Pedi que lhe dessem alta e não o faziam. Pois bem, enganei o médico dizendo que o liberasse e o levaríamos à sua clínica, para o tratamento. Exigiu que assinasse um termo de responsabilidade e o fiz. Tiramos meu pai de lá e o levamos a outro especialista, que passou a cuidar do caso, sem o tal exame que só o outro poderia fazer, em virtude do tal equipamento. Por essas e outras, tenho muitas reservas com relação a procedimentos médicos. Alguém tinha que tomar uma decisão e a assumi. As consequências poderiam ser adversas, mas não o deixaria ali apenas para me sentir tranquila com ele no hospital. Em casa, estaria, como ficou, bem melhor.


                                                            

Há pouco tempo, minha mãe sofreu uma queda, em casa. No hospital, eles a viraram do avesso, com tantos exames. O ortopedista, que percebi não ser bem preparado, disse que ela possuia uma fratura no quadril. Chamou outros médicos para ver o raio x. Percebi sua insegurança e disse que ela não tinha nenhuma fratura no quadril, pelo tipo de queda, e que, se aparecia algum sinal na radiografia só poderia ser resultante de um calo ósseo. Queriam operá-la e não deixei. Logo depois, um médico mais velho e mais seguro, veio ver o exame e descartou a cirurgia. Vejam como ficamos expostos a profissionais desqualificados. Ela sentia dores no braço. Este, sim, eu acreditava ter sido afetado. Mudou o plantão e outro médico veio atendê-la. Disse-me que o procedimento ideal era cirúrgico. Expliquei que, pela idade dela, eu temia cirurgias. Perguntei se havia outra opção e fui informada que poderia ele tentar colocar o osso alinhado e engessar, mas que eu correria o risco de ela perder um pouco dos movimentos e  teria que assumir a responsabilidade. Não pensei duas vezes. Decidi que o fizesse. Ela ficou engessada por algum tempo, mas se recuperou.


                                                         

A vida nos apresenta esse tipo de situações. E não adianta ficar chorando pelos cantos. Nem dar ouvidos a alguém que não lhe transmite segurança. Sou muito desconfiada com parecer médico e costumo, realmente, discutir com eles. Não devem gostar de tratar desses assuntos comigo, mas se algo não sair de acordo, porque decidi, fico tranquila porque pesei prós e contras. Nem sempre dá para ficarmos inertes. Por mais difícil que seja decidir, temos que fazer isso, qualquer que seja o caminho e suas consequências. A ajuda que precisamos, nessa hora, é a luz divina. Temos que orar e pedir auxílio a Deus. So Ele poderá nos guiar e nos levar à ponte que atravessa o rio da insegurança.






12 comentários:

  1. Marilene, a vida muitas vezes nos coloca em situações difíceis e delicadas, nos prega peças, em certos momentos ficamos diante de escolhas arriscadas, mas que são inevitáveis, nestas horas temos que ser fortes e decididas e você se mostra suficientemente apta a enfrentar tais decisões.
    Bj

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  2. Deus nos dá a traquilidade e a paz necessárias para podermos agir com descernimento. Temos que saber escutá-lo de coração aberto e ultrapassar as nossas provações.

    boa noite amiga
    oa.s

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  3. Marilene,
    A vida só nos oferece o que podemos enfrentar e decidir...vc é forte e sabe decidir da melhor maneira, sem dúvida.
    Saúde para a sua mãe, coragem e força para vc seguir assim: porto seguro.
    Beijos e boa noite!
    Carla

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  4. É muito difícil tomar decisões deste tipo. Só mesmo com muita confiança na luz Divina.
    Mas, em determinados momentos, temos que ter atitude. Graças a Deus que as decisões foram oportunas e acertadas.
    Beijokitas.

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  5. Gostei muito do que escreveu. É, nossa vida é cheia de decisões, e muitas vezes ficamos em um beco sem saída, mas Deus nos guia para o melhor.
    estou te seguindo. ;D

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  6. ha uns dias escrevi um texto que fala sobre decisão e indecisão, só que abordo a temática de outra maneira. Se quiser dar uma olhadinha, sinta-se convidada.

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  7. Confesso que não sei se teria essa coragem, quando o assunto chega ao hospital, tremo...
    Apesar de descobrir há tempos que médico não é Deus...
    Não sou boa com decisões, sou de libra..
    =/

    Bjs!

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  8. oi querida passando para ler as novi, deixar um beijinho e lembrar que ainda continuo em campanha pela copa blog.... posso contar com teu votinho até domingo né? beijos reluzentes no coração!

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  9. Boa noite, Marilene
    Vc é uma pessoa determinada, e passou por situações que exigiam tomadas de posição sem hesitações.
    Tem razão, há médicos que não oferecem nenhuma confiança; outros que são acima de tudo comerciantes, que só pensam no lucro que podem ter com os doentes. Enfim, como em todas as profissões há profissionais muito bons, que, felizmente, são a maioria.

    Uma semana muito feliz. Beijinhos

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  10. Já passei pelos mesmos "caminhos" e as decisoes tomadas foram feitas, principalmente, com a intuicao. Já perdi pai e mae (inclusive com o mesmo problema da sua) e nos coube lidar com muito médico e essa máfia toda. O duro é ter a cuca fresca, sair um pouco de nós para avaliarmos, sem interfeência emocional, e difícil, se tratando de pai e mae.
    Fiquei como você, com cisma da classe, e hoje sou uma paciente do tipo odiada, só compro os remédios quando eu acho necessário, e decido também pela minha saúde. Tipo, tinha uma suspeita de câncer no seio há 4 anos atrás, e pelo médico era cirurgia. Só que suspeita é uma coisa, certeza é outra. E gracas a Deus a decisao (por mim) tomada de nao me submeter a cirurgia, foi a acertada.
    Acho a coerência e bom senso nessas horas pesam e muito, a pessoa nao pode ir se afobando, se nao, danca.

    Beijocas, falei demais.

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Marilene, eu li essa sua magnífica crônica-depoimento, e a perdi depois de muito procurar. Não lembrava do título. Mas ontem a encontrei através do Linkwithin. O que teria para lhe dizer? Que você agiu certíssimo. Um cirurgião daqui, há muitos anos nos disse que nós somos os culpados por muitas coisas que acontecem, justamente por não agirmos, não falarmos e acreditarmos em tudo que os médicos dizem. Hoje peso cada sílaba dita, cada exame pedido - muitos desnecessários. Os médicos são prestadores de serviços tanto quanto advogados, engenheiros, arquitetos...Acertam e erram. Existem os confiáveis e aqueles que temos e devemos desconfiar. Parabéns pelo seu depoimento, sigo sua escola de olhos fechados.
    Dou flores e louros aos que merecem! Com minha família também erraram... E só quando passamos por isso é que mudamos de visão.
    Beijos!

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