5 de jun de 2011

JOSEFINE





Todas as vezes que vejo um filme que trata das barbáries do nazismo, eu me lembro de minha ex-sogra. Ela não era judia, mas convivia com muitos deles, tendo sido casada com dois. Aliás, nem sei que sobrenome usava porque passara por cinco casamentos. Mulher bonita, muito elegante, entrava e saía de qualquer lugar recebendo um tratamento especial. Tinha ótima condição financeira mas aproveitava qualquer oportunidade que surgisse para obter mais recursos. Não quero ser maldosa, tenho, porém, que dois de seus casamentos foram baseados nisso.

Ela sofreu, quando o primeiro marido, pai do meu ex , dela se divorciou para se casar com sua melhor amiga. Com dois filhos pequenos, veio para o Brasil, casada novamente, com um homem que também tinha filhos. Depois de quinze anos de união, ele faleceu. Os filhos de ambos já eram adultos e, com uma cultura bem diferente da nossa, muito mais frios, cada um tomou seu rumo. Quando conheci seu filho, ela estava no terceiro  casamento. Seu marido, judeu, só conseguiu se manter vivo em um campo de concentração, por ser médico e um grande pianista. Não tinha boa saúde, o que era de se esperar, e não viveu muito tempo após a união matrimonial. E quando me casei, ela já namorava outro judeu, sem filhos e rico. Com esse cheguei a conviver, mas também por pouco tempo, porque ele faleceu.
                                                              

Ela não era uma "viúva negra", longe disso (rss). Mas se casava com homens bem mais velhos, ótima situação econômica, e eles a declaravam herdeira universal por testamento, o que até provocou desentendimentos com parentes distantes. Mas estava legalmente protegida.

Quando me separei, ela estava para se casar, mais uma vez, só que o noivo era pouco mais jovem que ela e nossos amigos brincavam que esse ela não ia enterrar.

Não foi uma sogra ruim para mim. Mas era um terror para a outra nora. Sempre atribuí esse fato ao amor que meu cunhado tinha pela esposa. Ao contrário do meu ex, frio e calculista, ele era carinhoso e amigo. Jamais falava em alemão quando estávamos presentes. Afirmava que residia no Brasil e devia se comunicar em português. Meu ex só conversava com eles em seu idioma, o que me deixava furiosa e me levou a uma escola para estudar alemão. Não suportava ouvir meu nome e não saber sobre o que conversavam. Era unha e carne com a mãe dele e da mesma forma, interesseiro. Sentia-se poderoso e não respeitava ninguém. Na empresa ,seus subordinados tinham pavor dele.
                                                                       


Mas não posso desqualificá-la como sogra. Quando namorava, fumava e meu ex até me comprava cigarros. Depois, proibiu, terminantemente. Um domingo, estávamos no apartamento dela e, após o almoço ela me ofereceu um cigarro. Quando recusei, perguntou se eu não fumava mesmo ou o fazia às escondidas. Tive que dizer que o filho dela não permitia. Ela, imediatamente, me deu o cigarro, afirmando que marido nenhum tem o direito de impedir a mulher de fazer o que lhe dá prazer. Nunca mais ele pode tocar nesse assunto, pois não contrariava a mãe.
                                                                         
Eu me lembrei desses fatos porque acabei de ver o filme AMOR E ÓDIO, que retrata, com realismo, o sofrimento dos judeus que viviam na França, em 1942. Esses filmes deprimem porque sabemos não ser ficção. E voltei meus pensamentos para os falecidos maridos de minha ex-sogra, que por ele passaram e sobreviveram. E que a deixaram cada vez mais "poderosa" (rss).


9 comentários:

  1. Minha querida e admirada Marilene Duarte (irmã de humanidade e quiçá prima por sobrenome familiar - rsrsr)... tenho me deliciado com tua literatura, a ponto de já ir avisando que, no momento em que resolver transpor o conteúdo dos blogs para um livro, quero ser a primeira da fila com um exemplar em mãos, buscando uma dedicatória autografada, combinado ?!?! - rsrs
    Veja só o que descubro por aqui, mais uma coinscidência em nossas vidas. Também tive sogra alemã, mãe de um ex "ditador nazista", (ou será machista ?!?!)...frio,calculista,egocêntrico, intolerante, orgulhoso,aproveitador, impiedoso e torturador de mulheres, a quem apelidei de "o demômio da Tasmânia", ou "o poderoso checão" - rsrsr Bem, voltando às sogras, em matéria delas, somos "o concavo e o convexo", pois, a minha "alemoa", era feia, chata, deselegante, brava, inculta, invejosa, pobre, má, e ... sempre me "odiou". Evidente que, com tantos atributos, não conseguiu mais se casar, após a morte do infeliz marido. Morreu de câncer há alguns anos, e creio que, atualmente, deva estar viajando no "centro da terra", depois de largo período "flutuado como alma penada" por aqui, em regozijo de observação de sua melhor obra !!! Cruzes!!!! kkkkkkkkk Desculpe-me, mas, releve o mau escrito, não tenho a tua verve literária. Bjs. PARABÉNS!!!

    ResponderExcluir
  2. Que bom que voltou! Por incrível que pareça, antes de chegar na parte da viúva negra, tal pensamento já havia me vindo a mente... que maldade a minha! RSRSRS ...
    Não sou muito fã de assistir coisas de guerra, me fazem muito mal, mesmo porque sempre tive muitos sonhos recorrentes comigo nesta situação, as vezes penso que se trata de lembranças de uma outra encarnação, sei lá !?
    Bj.

    ResponderExcluir
  3. Nossa, como o que tu escreves nos remete a lembranças, nos faz imaginar as situações, as caras e bocas dos personagens... Enfim! Esse é "o príncipe desencantado" não é?! A mãe dela também não era muito encantada, ao que me parece, rs. Mas encantadora, devia ser, ou no mínimo inteligente, esperta, depois de ter conquistado os pretendentes acima, deve ter sido.
    Marilene, está vendo como há males que vêm para o bem? Não fosse o seu ex desencantado falando alemão o tempo inteiro sem que pudesses entender, talvez você não tivesse procurado aprender alemão, não é mesmo?!
    Você é uma graça mesmo, Mari (se é que posso chamá-la assim), escreve de uma forma incomparável, nos arranca boas risadas, nos faz meditar, refletir sobre diversos assuntos, sobre posturas nossas e alheias. Amo lê-la.
    ÓÓÓTIMO que tenha voltado!

    Beijos, com carinho,
    Débora.

    ResponderExcluir
  4. (rs.rs.rs.rs).
    Apesar de conhecer a história não pude deixar de pensar nela como "enterra maridos". Esse último estava se arriscando...
    Bom, brincadeiras à parte, o importante é que a "ex" sogrita se afinava com você. Quanto a ele, que Deus o mantenha sempre longe de você!.
    Bitocas.

    ResponderExcluir
  5. Ola.. gostei da historia... eu ameí muito a minha sogra uma mulher muito inteligente e boa...

    mas agora ha años que nao está.....

    Um beijinho

    ResponderExcluir
  6. As sogra são um capítulo a mais nos casamentos...kkk...alemas então são muitos outros...kkkk
    Beijos e bom dia!
    Carla

    ResponderExcluir
  7. Olá amiga
    adorei a historia rsrsrs.Minha sogra é um amor comigo.Boa tarde
    UM ABRAÇO. TENHA UMA SEMANA CHEIRINHA DE MUITA LUZ.
    BRISA

    ResponderExcluir
  8. Não assisti o filme que vc citou, mas adorei a história da sua sogra. Que mulher incrível! Gostaria de conhecê-la pessoalmente.
    Bjkas e uma semana maravilhosa para vc.

    www.gosto-disto.com

    ResponderExcluir

Marque presença! Ficarei feliz com seu comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...