28 de mai de 2011

VINGANÇA


                                                                  

É fácil falar sobre o perdão. Sobre o amor, sobre a felicidade, sobre perdas. Mas essa facilidade se restringe ao mundo da fantasia, aos livros e textos com matérias voltadas à ajuda espiritual. São lindos e provocam reflexão. Quem dera pudessem, realmente, curar os males da alma, estruturar os espíritos destruídos pela dor.

Sobre vingança, então, já li muitos pensamentos de autores conhecidos, ressaltando sua inutilidade, o desconforto que acabará causando a quem assim agiu. Concordo, quando se trata de futilidades, de animosidades que não vale a pena alimentar, de constrangimentos causados, de humilhação imposta por comportamento de terceiros. Sem dúvida, melhor ignorá-los e alimentar nosso interior com pensamentos positivos, com flores, com outros amores. Melhor não ficar revivendo o sofrimento causado, pois lhe daremos mais força a cada dia.

                                                          
Mas há ocorrências em que não consigo ver essa condescendência. Não tenho um espírito tão iluminado a ponto de sequer aconselhar o perdão a quem passa por certas situações. Tenho um amigo que diz que quem fizer mal a um de seus filhos não viverá o suficiente para se arrepender. Ele é radical, reconheço. Mas talvez muitos pensem como ele. Já ouvi depoimentos de pessoas que afirmam não ter condições de perdoar, de ficar frente a frente com alguém que causou mal a seus filhos. É mais fácil perdoar quem nos trouxe um sofrimento, quando ele não foi causado por atitudes tomadas contra nossas pessoas queridas.

Assisti alguns filmes sobre vingança. Sinceramente??? Saboreei cada ato praticado, por mais terríveis que possam parecer a outros.
                                                           

Um deles foi CONTRA GOLPE. Um filme francês em que uma criança é assassinada por um maníaco. O desenvolvimento da trama é excelente. Em dado momento, chegamos a pensar que o assassino havia conseguido conquistar a afetividade de seu pai. Mas o final é surpeeendente. Uma vingança digna de mestre. Será que um pai consegue perdoar alguém que comete esse tipo de crime? Já li  A CABANA, de William P. Young, um livro que tenta resgatar a confiança nos desígnios divinos, diante de uma tragédia da natureza. Uma obra onde o caminho percorrido mostra que há, nãos mãos de Deus, uma grande misericórdia, o que levaria à aceitação do fato como um "destino" traçado.

Os espíritas tratam da matéria com mais conformismo. Lidam com a reencarnação e com o fato de que a pessoa (criança ou adulto) que sofre morte violenta (além de outras ocorrências), já renasceu para isso, para resgatar um passado vivido em outras existências. Renasceu com esse objetivo, fruto de sua própria escolha. Posso entender os princípios do espiritismo, do cristianismo (onde fui criada), mas tenho enorme dificuldade para compreender a capacidade de perdão, nesses casos.
                                                                   

Ontem vi o filme A VINGANÇA. Na locadora já me haviam dito que apresentava cenas fortes. Não é um tipo de filme para ser visto por crianças e adolescentes. Seu cerne está na vingança de uma jovem violentamente estuprada por várias pessoas, com requintes de crueldade. Qualquer pai, em uma situação dessas, desejaria ver mortos os estupradores. Mas não é esse o caminho do roteiro. A vingança é feita pela própria jovem, que consegue sobreviver, lançando-se a um rio, quando estava prestes a ser assassinada. E ela elimina todos os eles, um a um, impondo-lhes um sofrimento equivalente ao dos atos praticados. Se me perguntam como me senti, não tenho dúvidas. Adorei! Em nemhum momento eu me lembrei de minhas convicções religiosas e da necessidade de perdão.
                                                                       

Meu espírito, como afirmei antes, ainda tem muito a se desenvolver. Não conseguiu chegar a essa luz. Espero que um dia consiga e só posso deixar no ar uma pergunta: você conseguiria perdoar um assassino ou um estuprador de um de seus entes queridos, principalmente filhos pequenos?  Se responder sim, eu o parabenizo e invejo. Ainda não consegui esse aprendizado, infelizmente.


7 comentários:

  1. Marilene,
    Como você sabe, sou espírita, mas não saberia lhe responder esta pergunta.
    Espero nunca ser colocada à prova diante de uma circunstância como essa.
    Não aprovo a vingança ,de forma alguma.
    Quanto ao perdão, somente teria mérito se fosse de coração. Sinceramente não me acho apta a opinar a respeito de seu questionamento.
    Bitoca.

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  2. Não! A princípio não, mas talvez a dor seja tão grande, que nem sobre forças para se ter raiva...


    Vim te trazer meu novo endereço, o blog mudou de casa...

    Entre lã & Off!
    http://entrelaeoff.blogspot.com

    Bjoo!

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  3. Se faz sentido para você, estão tem que ser e será até quando vc conseguir mudar. Todos tentamos sempre melhorar e nessa vida vamos sempre aprimorar o sentido de amar.
    Beijos,
    Carla

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  4. Marilene, mais uma vez, seu texto é ótimo e extremamente pertinenete. Infelizmente sou assim, não consigo perdoar, tenho uma certa fome de vingança, tenho um lado boníssimo, mas como todo ser humano também tenho o meu lado "B". respondendo a sua questão, com certeza se acontecesse algo semelhante com um filho meu, a pessoa não sobreviveria para contar a história. Não estou preparada para este tipo de perdão.
    Coincidentemente meu marido locou o filme "A Vingança", poisdisse que eu iia adorar.
    Sou muito boa, mas não pise no meu calo, não coloque o dedo na ferida, porque ... o bicho pega.
    Bj.

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  5. Também li "A cabana", e gostei muito. São bons ensinamentos, são bonitos. Quanto à vingança, posso dizer que não sou do tipo que pago com a mesma moeda ou que só me acalmo quando consigo a vingança. Ainda bem. Porque como todas as outras coisas que tornamos uma rotina, que precisamos, em nossa mente, fazer necessariamente, ela também escraviza. Eu seria infeliz se a cada dor que me expusessem, eu só conseguisse me sentir bem quando impusesse sobre quem o fez uma dor tão grande quanto ou até maior do que a minha.
    Não sei o que faria, sei que o certo seria deixar a lei de Talião de lado, e perdoar. Fui criada dentro do cristianismo, também, e me sinto numa encruzilhada quando me expõem casos de morte ou estupro a crianças, principalmente. Não consigo conceber certas atitudes humanas. Por que machucar alguém que nunca te fez mal? Se não deveríamos machucar nem aqueles que nos machucaram, fazer isso a quem sequer conhecemos, por quê? Fico irada, confesso, quando presencio certas crueldades. Estou fazendo direito e me deparo com cada situação... É como se o meu racional brigasse com o meu espiritual, e por mais que eu queira que o espiritual prevaleça, numa hora dessas, não sei quem se sobressairia.

    Belo texto.
    Beijos,
    Débora.

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  6. Ah, li os seus posts: "Desequilibrada" e "O príncipe desencantado". Amei! Comentei em ambos. :)

    Beijos,
    Débora.

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  7. BOM DIA!
    Na vida temos momentos difíceis mas quando encontramos pessoas queridas e maravilhosas com o coração do tamanho do mundo como você é que percebemos a verdadeira essência da vida Sua amizade é bênção em minha vida

    Que Deus abençõe seu dia Bjos Carinhosos..
    Adorei este texto deseiquilibrada rsrsrs.
    Tbm acho que vingança não é o melhor remedio temso que resolver com muita paciencia e estimulando o perdão. Um abraço
    Brisa
    http://brisa-petala.blogspot.com

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