7 de mai de 2011

DISCUTIR A RELAÇÃO


                                                                         

Uma outra inadequação de linguagem : discutir a relação. A palavra discutir, por si só, já carrega um peso que faz com que as pessoas , por mais ternas, mais tolerantes, mais dedicadas que sejam, têm vontade de sair em desabalada correria.

Podemos nos desentender com nossos parceiros, o que não significa que chegaremos a uma discussão, no sentido exato do termo. Vamos mostrar nossos posicionamentos divergentes e tentar chegar a um consenso. Nem sempre se vai conseguir e para isso pode-se cortar algumas arestas, propor novos caminhos, tudo buscando a manutenção de um relacionamento que nenhum dos dois quer romper.

Na maioria das vezes, o que acontece é a falta de oportunidade para trazer à baila uma questão. Em mil novecentos e nada, aconteceu algo que magoou uma das partes. Mas o silêncio foi escolhido para evitar o diálogo. Mais tarde, outro acontecimento foi jogado para debaixo do tapete, por medo de sua menção acabar rompendo a relação. Lógico que esse tipo de situação vai criar muita sujeira escondida. E ela não desaparece por si só. Um dia haverá que ser retirada de onde está. E aí, sem mais nem menos, alguém quer "discutir a relação" e joga tudo de uma vez sobre a pessoa querida. Quem vai aguentar tanta poeira, esclarecer fatos dos quais nem se lembra e aos quais nem deu importância?
                                                                     
Os fatos, os erros, os tombos, as mágoas... devem ser ditos tão logo surja o descontentamento. É mais produtivo. Pode-se obter resultados bastante satisfatórios. Saber o que o outro está pensando, porque agiu dessa ou daquela maneira, é o primeiro passo para o entendimento... ou não. Mas os interessados vão descobrir, desde logo, se vale a pena retomar a convivência, renová-la, estabelecer bases diferenciadas que a ambos proporcionem prazer.

Ninguém deseja "descutir uma relação". Um relacionamento é muito intenso, tem bastante espaço, tem uma construção que deve ter sido feita com alicerce seguro. Discutí-lo, no todo, de uma vez e repentinamente, não vai levar a um bom resultado.
                                                            
Nós não esperamos os filhos chegarem à adolescência para discutir sua infância. Não esperamos estar adultos e maduros para discordar de posicionamentos de nossos pais. Não aguardamos anos de amizade para esclarecer coisas do passado, engasgadas, quase a sufocar.

Nos relacionamentos afetivos, então, por mais que algo incomode, deve ser dito. Não se pode alimentar o medo da perda subestimando o outro e abafando sentimentos. Uma convivência harmoniosa e feliz não vai acontecer sem desentendimentos, mas eles não podem receber, necessariamente, uma couraça que se presume de proteção. Tudo se rompe e, em determinado momento, vem à tona.
                                                                
Vamos conversar, e não discutir, sobre nossas desavenças diárias, nossa insatisfação, nossos dissabores. Vamos esclarecer cada um deles, à medida que surjam. E nunca chegaremos à malfadada "discussão da relação", assustadora e, na maioria das vezes, ineficaz, porque tudo já foi redimensionado, cresceu com o passar do tempo, dificultando, sem dúvida, aquele entendimento que se busca.

Viva o diálogo! Viva a verdade! Viva a amizade! O hoje é tudo que temos e viver infeliz não é o ideal que alimentamos e buscamos para nossas vidas.



7 comentários:

  1. De fato, discutir a relação é bastante enfadonho e desagradável. O ideal mesmo seria, desde logo, no momento do fato, questioná-lo.
    Mas, talvez no intuito de evitar um confronto, engolimos o "sapo". Mais tarde, o que é inevitável, ele virá à baila em proporções muito maiores.
    Beijo.

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  2. Olá Marilene, grata por seu comentário, incisivo e verdadeiro. Estou de pleno acordo. Nossos limites, penso eu, que precisam serem moldados ante a nossa capacidade de virar o jogo com a cabeça erguida. Abraço pleno de gratidão. Muita luz tal como o background do seu lindo blog. Cumprimentos de LuGoyaZ.

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  3. Quando tiver um tempinho venha me visitar aqui também. Grata. http://aprimoramentopessoal-lugoyaz.blogspot.com/

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  4. Marilene, compor a relação de forma madura e construir-se enquanto dupla de maneira coerente e clara não é tarefa fácil, sem que haja o comprometimento dos envolvidos. Grata por sua visita ao Piruetas, será sempre um prazer ! Estarei também a te visitar. Um abraço, Fabiola.

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  5. Muito bem redigido e abordado o tema das relações e do quanto é importante o diálogo.
    Concordo e assino abaixo.
    Beijos e boa semana!!
    Carla

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  6. Olá Marilene,
    É "discutir" a relação dá uma preguiça danada ...
    O importante creio que é ouvir e ser ouvido, é compreender e ser compreendido... Temos que ter essa regra na relação, conversar sempre. O diálogo é sinônimo de união ... Muitos casais se perdem pela falta dele...

    Um brinde ao diálogo !!

    Uma linda semana pra ti,
    Bjinhos,
    SIL

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  7. Carambaaa, muito interesante!!!!
    adorei aqui, te seguindo... bjos

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