11 de mai de 2011

BANCO DE AFETO


                                                                   

Sempre soubemos que uma imagem vale mais que palavras. E algumas delas teríamos até dificuldades para traduzir em palavras. Pode ser imagem real, de pessoas que vemos, com as quais nos encontramos, ou aquelas contidas em revistas, jornais, na internet. Todas provocam sentimentos, mas não reações capazes de mudar uma situação.

Hoje presenciei uma cena que não julgava possível acontecer. Em uma avenida de grande movimento, um carro parou, repentinamente, e seu motorista abriu a porta e caiu no chão, onde ficou estendido. Os carros continuaram a passar, apenas se desviavam. Próximo do local estava um guarda de trânsito que, cientificado da ocorrência, parou o trânsito. Três pessoas que estavam na calçada se dirigiram ao local e carregaram o homem para a ilha.  Provavelmente, entraram em contato com sua família porque logo chegou uma senhora, tirou seus sapatos, fez uma ligação e esperou ajuda.  Eu estava um pouco distante, dentro do carro, mas pude ver o que acontecia. O que me impressionou foi o movimento de veículos continuar, enquanto ele permanecia no meio da avenida, sem possibilitar que pedestres o ajudassem, sem risco de atropelamento. Não fosse a presença do guarda de trânsito, nem sei o que poderia ter acontecido. Foi esse fato que me levou às imagens.

Acredito que todos já tenham cruzado com uma dessas:




Como acredito, também,  que  passaram direto e talvez tenham olhado para trás,  para ver se alguém fez alguma coisa. Não é uma crítica, também já passei por isso, remoendo em meus pensamentos  o que teria levado aquelas pessoas a essa condição.

Todas elas mostram carências. Nenhuma dessas pessoas está nessa condição por opção. Mas a quem vão recorrer? O governo já criou muitas bolsas de auxílio, mas elas resolvem essas situações? De que adianta você ter um teto que não consegue manter porque não tem emprego? De que adianta receber uma cesta básica, se não tem qualquer amparo emocional? Bens materiais, por si só, não vão acabar com o abandono, com a carência, com a infelicidade. Muitos e muitos se oferecem para adotar crianças abandonadas, quando o fato é noticiado.  Mas e as outras que estão jogadas por aí? Com esse processo de adoção tão demorado, vão se transformar em marginais, viciados, quando poderiam estar em um lar, recebendo o que mais anseiam... carinho.

Assim como existe banco de sangue, estamos precisando, urgentemente, de um banco de afeto. Um lugar para que as pessoas sofridas recebam um abraço, um carinho. Onde possam ser ouvidas com atenção, onde a sujeira de seu corpo não provoque repulsa. Estamos sempre correndo, voltados para nossos compromissos. Procuramos dar atenção e carinho a nossos entes queridos. Será que não poderíamos participar desse banco de afeto, sem passar em silêncio quando virmos uma dessas imagens fora do papel,  nas esquinas e praças de nossas cidades? Será mesmo que estamos impotentes e que nada podemos fazer, senão orar e deixar tudo nas mãos de Deus?   


                                                  

5 comentários:

  1. Muito bom seu texto, assim é o mundo atualmente, o ser humano foi completamente esquecido.Beijos

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  2. O mundo que vemos está cheio de carências, coisas que nos fazem mal até de olhar...

    beijos,lindo dia,chica

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  3. ESTA É A NOSSA REALIDADE, INFELIZMENTE!
    ESTE BANCO DE AFETO TERIA QUE SER CRIADO EM CADA CORAÇÃO, PARA QUE TIVESSEMOS CORAGEM E VONTADE PARA FAZER UM POUCO MAIS.
    BITOCA.

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  4. Marilene querida,
    Seu coração é de ouro. Poucas pessoas param para escrever algo sobre o que se passa ao nosso redor. É lamentável a situação em nosso país, onde o que mais interessa são as vantagens para quem desfruta de status que, no fundo, não levam a nada, pois somos todos iguais e filhos de Deus.
    Sua idéia de um Banco de Afeto é maravilhosa, mas como construir algo de tamanha envergadura? Nossa política brasileira deveria pensar e muito nisso, uma vez que é responsável pelos brasileiros carentes. Poderíamos tbem ajudar, por que não? Quem sabe levantando esta bandeira, conseguiríamos movimentar alguma coisa neste sentido.
    Beijos,
    Maria Paraguassu.

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  5. Penitencio-me.
    Esquecemos que naquele esquecido está um pouco da nossa dor e necessidade de acolhimento.
    Acho que o Banco de afeto poderia nos salvar.
    Bjs linda.
    Em divina amizade.
    Sonia Guzzi

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