12 de abr de 2011

ADOLESCÊNCIA

                                                                

Passei pelo quarto e olhei a cama. Já a tinha visto hoje, mas meus olhos fitaram aquele edredom lilás, com bolinhas brancas, coordenado com lençol e fronhas listrados, nos mesmos tons, e me conduziram a outra imagem, tão distante. Vi a adolescente "vareta", pernas compridas, usando um vestido de "pois" rosa e branco. Desajeitada, mas de andar firme, caminhando com as irmãs para a chamada hora dançante. Tímida em demasia, olhava as rendinhas brancas da blusa tentando se esconder, quando, no fundo, ansiava por ser vista, por ser convidada para dançar. Quando alguém o fizesse, começaria, então, a sua festa. Compensaria o fato de ser alta e magra, motivo de complexos, com a facilidade para acompanhar os passos de qualquer dançarino. Mas alguém tinha que começar, ou passaria a noite inteira sentada, parecendo ausente, observando tudo e todos, sem cansar.

Fase complicada a adolescência. Nós nos sentimos sem atrativos e qualquer detalhe que não se assemelhe aos dos demais acaba criando complexos. Eu não usava decote porque acreditava que meus horríveis ossos ficariam à mostra. Cabelos, então, nem se fale. Os meus, encaracolados, eram um tormento. E o fato ainda se agravava porque todas as minhas irmãs tinham os cabelos lisos. Costumo brincar que meus pais se esqueceram que teriam outros filhos e deram todo o anelado para mim. Isso, hoje, porque naquela época era motivo para não sair de casa, caso não tivesse tempo suficiente para passar pelos rolinhos e pela touca, sem contar que o tempo haveria que estar bom ou qualquer ventinho era suficiente para estragar tudo.


                                                                     
Alguns sofrem com as espinhas, outros com o corpo, que nunca parece agradar. Vemos problemas que não existem, mas todo sofrimento está no íntimo de quem dele padece.  Na escola, qualquer brincadeira sobre gordura ou magreza, formato de dentes, cabelos... é motivo para que nos sintamos mal. E não se trata de ocorrências da minha adolescência, elas atravessam épocas e todos os jovens passam por situações semelhantes, em maior ou menor grau de complexidade. Nessa época, os pais devem ser muito cuidadosos com o que dizem, ou serão eles próprios os geradores da insatisfação e dos complexos dos filhos.

Acredito que esses inconvenientes que acompanham a idade tornam muitos adolescentes rebeldes, com tendência a brigas por qualquer motivo, partindo até para condutas radicais no tocante à sua aparência física. É a maneira que encontram para camuflar a insegurança. Se não forem bem orientados poderão, inclusive, trilhar caminhos de difícil retorno.

                                                            
Um texto que apresenta, de forma sintética e clara, as características dessa fase, encontrei na Wikipédia, nos seguintes termos:

"Adolescência é a fase do desenvolvimento humano que marca a  transição entre a infância e a idade adulta. Com isso, essa fase caracteriza-se por alterações em diversos níveis - físico, mental e social - e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências  que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto."

Ainda bem que o tempo passa, vem o amadurecimento, os descobrimentos necessários, e nos tornamos adultos, passando a assumir total responsabilidade pelos nossos atos. É certo que encontramos, no decorrer da vida, pessoas que nunca saíram da adolescência, "não cresceram", como costumamos dizer. E serão eternos insatisfeitos porque continuam a esperar soluções para suas dificuldades, continuam se sentindo diferentes e até inferiores, deixando para mais tarde (?) o enfrentamento da realidade.

                                                                  
Época trabalhosa para pais e filhos e de grande responsabilidade para os pais que, com cautela e amor, têm que ajudá-los a vencer e encontrar seus próprios caminhos. Há tantos descobrimentos nessa idade, tanta emotividade muitas vezes contida, primeiros amores nem sempre correspondidos e o encontro inevitável com a tristeza e o sofrimento, do qual estiveram sempre protegidos na infância.

Nós, que já passamos por ela, temos uma exata compreensão de seu significado e de suas consequências, razão pela qual obtivemos , na maioria, o aprendizado indispensável para ajudar filhos, sobrinhos e netos a ultrapassá-la sem sequelas.



2 comentários:

  1. EH! EH! EH!
    A POSTAGEM É OPORTUNA PARA OS ATUAIS EDUCADORES
    E PAIS, PARA QUE ATENTEM PARA TAL PARTICULARIDADE.
    BJ.

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  2. Realmente, nessa fase qualquer diferença com a maioria já nos sentimos inferiores. Mas, logo passa e aprendemos a valorizar nossos pontos fortes. Bom, minha pior época foi a da escola, mas não sofri bullyng. Mas já que está tão em foco na mídia, deve-se fazer a conscientização das crianças de hoje.

    Grande beijo
    http://bblah-blah-blah.blogspot.com/

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