23 de mar de 2011

PRECISANDO DE AJUDA ?

                                                               

Tenho um amigo que mora na Suécia. Nós nos conhecemos pela internet e mantemos contato  há uns três anos. Ele fala ingles e alemão e eu, apenas português. Mas conseguimos nos comunicar porque uso o serviço de tradução do Google. Mesmo sabendo que essas traduções não são perfeitas, não tenho tido dificuldades para entender o que ele diz e, ao que tudo indica, nem ele as tem para saber o que menciono. Nosso relacionamento não é daquele tipo paquera que costumamos ouvir. Também, não somos imaturos, temos independência e não discorremos sobre bens materiais e outras coisas que poderiam trazer insegurança. Ele não tem meu endereço e apenas sabe que moro em Belo Horizonte. Nunca conversamos pelo msn, até porque a situação seria cômica. Pareceríamos surdo-mudos em linguagem de sinais.

Só coloquei esse fato porque há tempos ele gostaria de conhecer o Brasil. Todas as vezes que começa a fazer planos, nesse sentido, ocorre algum fator impeditivo. Ele acompanha os acontecimentos brasileiros e está sempre ciente de nossas vitórias e problemas, como nos esportes, ou nas enchentes e situações de violência publicadas nos jornais internacionais.

Fiquei mais de um mês sem ter notícias dele, exatamente quando me havia dito que estava adotando as providências necessárias para vir ao Brasil. Estava  aposentado, seus filhos são casados, tem netos que conheço por fotos, e contava com tempo livre para um passeio.
Acabei de receber uma mensagem dele e fiquei sensibilizada. Sua filha mais velha, com 33 anos e dois filhos, foi diagnosticada com câncer. Mais uma vez, não poderá pensar em viajar. Eu entendo, entendo, entendo. Posso imaginar sua dor e seu medo de perder um ente tão querido. Percebi em sua mensagem a dor de um pai diante de uma situação dessas. Já respondi, claro, passando apoio e ressalvando ser ela jovem, a medicina estar bem avançada, com grandes possibilidades de cura.



Muitas vezes nós nos deixamos dominar por problemas tão pequenos! Ficamos nos afligindo por fatos e situações muito mais fáceis de solucionar. E capengamos sem sequer ter problemas nas pernas, nos firmamos em bengalas totalmente dispensáveis.

De forma totalmente diferente, muitos estão a passar, realmente, por situações inesperadas , algumas das quais sem solução. Mas continuam a caminhar eretos, não jogam suas dores nos ombros de outros, e até conseguem dar força a amigos e parentes que podem estar desequilibrados com alguma pedra em seus caminhos.

Tenho uma enorme admiração pelos fortes. Não que acredite devam carregar seus pesos sem ajuda. Palavras amigas são um conforto, sem considerar que, em certas situações,  a luz que não se enxerga pode vir através de uma amizade, de um conhecido, um vizinho, um colega de trabalho e, porque não, um amigo virtual. Por isso, ninguém deve ficar escondido como a ostra. Sabemos que muitas atitudes drásticas tomadas por alguns poderiam ter sido evitadas com uma simples abertura, uma fresta por onde passaria a sabedoria de terceiros.

Não vivemos sós e assim temos que caminhar. O homem é um ser social, já disseram, só que se esquece disso quando mais precisa de ajuda. Somos limitados e a dor costuma nos conduzir ao isolamento inoportuno, trazendo consequências até drásticas. E essa questão me leva, mais uma vez, à abertura que mencionei em postagem anterior, relativa aos pais para com seus filhos. A inexperiência e o mau aconselhamento podem agravar doenças, levar à busca de soluções nos lugares errados, ao desespero e até à morte.

Os pais que perderam filhos sempre afirmam que essa ausência contraria a natureza. É a vontade de Deus. Mas como existe o livre arbítrio, algumas dessas perdas poderiam ser evitadas, como as que ocorrem com direção perigosa, embriaguez ao volante, abortos feitos por incompetentes, remédios ingeridos sem receita médica, diagnósticos baseados em experiências de falsos amigos e que conduzem a um inapropriado e/ou tardio tratamento.

O homem não nasceu para ser infeliz. O que ocorre é que nunca está satisfeito com o que tem, não valoriza pequenas conquistas e se sente, em algumas situações, como o centro do universo, dotado da sabedoria suprema. Daí, sem subir os degraus necessários ao aprendizado, não conseguirá chegar ao topo por caminhos adequados.

A doença é um mal físico mas pode ter sua origem na psique. Pode parecer que andei em círculos no que estou dizendo, passando de um assunto a outro, sem conexão. Mas estão todos interligados, ainda que por uma linha tênue.


                                                    

Meu amigo está tendo a oportunidade de ficar ao lado de sua filha, de ajudá-la na recuperação, de lhe dar carinho e presença constante em sua vida , na do marido e dos netos. E porque? Não lhe esconderam os fatos. Pediram abrigo e lhe deram a chance de abrir os braços.

Todos nós podemos agir da mesma forma, abrindo os braços aos filhos machucados pela vida, aos amigos que passam por turbulências, à família que é nosso porto seguro. E aos desconhecidos, porque, cetamente, não entraram em nossos caminhos por acaso.



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