22 de nov de 2014

ALEGAÇÕES DE CRIANÇAS

(Oksana Yambykh )
                                                                   
                                                               

Vi, há algum tempo, um filme francês intitulado A CAÇA, onde um professor, digno e afetuoso, se vê envolvido em uma acusação de pedofilia, injustamente. Uma situação que poderia ser facilmente esclarecida foi conduzida para o lado criminoso, após entrevista da criança com uma psicóloga, e o acusado passou a ser, literalmente, a caça, em um evento da comunidade onde vivia.

Ele me levou a recordar o drama da família paulista, proprietária de uma escola, totalmente destruída anos atrás. Quase foram linchados, perderam tudo, eram mostrados nos meios de comunicação, de forma sucessiva, como suspeitos de abusarem de crianças, em vista de acusação formulada por duas mães. Como qualquer pessoa, influenciada pelos noticiários, fiquei pasma com a situação. Anos depois, sem a mesma publicidade, foram inocentados, por falta de provas. Há pouco tempo, encontrei uma nota publicada na página do UOL, alusiva ao resultado do processo judicial intentado pela família contra uma emissora de TV. Foi ela condenada ao pagamento de uma indenização de trezentos mil reais para cada um dos autores, depois reduzida, por provimento de recurso, para cem mil reais. Esse dinheiro recuperaria a dignidade ultrajada de forma tão vil? Impossível, até porque a mulher já faleceu, de câncer. E o marido, de um enfarte. Ficou o filho, com uma pesada carga da qual nunca se livrará.

Mais uma vez, um episódio da natureza vem sendo noticiado, mas sem exposição exagerada, eis que a imprensa, na ocorrência anterior, foi muito criticada. Um monitor de colégio de classe média alta, há muitos anos no emprego, foi acusado de abusar de três crianças de 3 anos. Por tudo que li a respeito, os relatos dessas crianças estão fundamentando o processo. Elas foram, como é usual nessas situações, submetidas a avaliação psicológica, o que me remeteu ao filme que antes mencionei. Um grupo de pais de alunos, do próprio colégio, vem contestando a acusação e saindo em defesa do ex-empregado, preso desde o dia 8 de maio. Ele é casado e tem dois filhos. 

Não menciono o caso com o intuito de defendê-lo ou eximi-lo de responsabilidade, mas pelo fato de que essas ocorrências, por sua excepcional natureza, exigem rigorosa  apuração antes de se fazer uma acusação. De nada adianta o processo seguir em segredo de Justiça se a imprensa o torna público, mesmo sem acesso a todos os detalhes que possa ele conter. O crime tem merecido inúmeros questionamentos, no tocante à procedida identificação de autoria.

Atualmente, os professores se policiam a cada instante. São podados em muitas atividades. E as crianças têm fértil imaginação, são ludibriadas, influenciadas pelo que ouvem, e muito vulneráveis. Pais, de modo geral, costumam crer, incondicionalmente, no que dizem e, antes de fazer uma verificação séria, voltam-se contra quem os filhos afirmaram tê-los ofendido. O professor passou a mão no meu rosto, significa abuso. Não interpretam como um possível carinho. O professor segurou meu braço, significa violência. Não interpretam como possível gesto de cuidado. E assim vai. 

É certo que se deve ter extrema atenção, pois elas são expostas com facilidade às ações de pedófilos. O número desses crimes é crescente e assustador. Mas tudo há que ser previamente constatado, antes de se proceder a uma acusação tão devastadora. Destruir a vida de uma pessoa inocente não tem reparação. A mancha fica tatuada para sempre.



                                                                        Marilene


35 comentários:

  1. Boa colocação, Marilene. E esse caso que vc citou é da Escola Base, né. Realmente é preciso muito cuidado pra não cometer graves e irreversíveis injustiças. Aliás, é o que mais tem no país. Tanto que o caso da indenização que vc citou é outra injustiça. Bjs e bom fim de semana!

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  2. Gostei muito do texto, acho que a mídia influencia totalmente no pensamento das pessoas, o que é algo negativo. Sou professora e é frustrante você saber que é políciada a todo momento, seja pelos pais, diretor e principalmente alunos, eles querem a todo custo que você seja sempre exemplo, mas não percebem as atitudes que tem com nós professores. Eu não defendo professores que abusam ou cometem crimes com alunos, mas também sei que por um gesto mal interpretado, por uma palavra que não foi do gosto do aluno, acaba o professor sendo julgado.
    Me empolguei Haha
    adorei aqui, Beijos

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  3. Todo cuidado é pouco nesses casos que podem ter vidas destruídas, de ambos os lados. Há que ser tudo bem fundamentado.

    Os pais não devem ignorar as queixas de filhos, mas devem ponderar, observar bem, ter certeza ! Os pedófilos estão por todas as parte, vemos isso cada vez mais. Mas CUIDADO é preciso SEMPRE! bjs, chica e lindo fds!

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  4. Bom dia Marilene :)
    Toda acusação merece uma investigação bem rigorosa.
    Crianças podem obviamente apresentar versões fantasiosas,
    mas, por outro lado,
    às vezes fico pensando, que criança não costuma mentir...
    Bom final de semana, bjs!

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  5. Olá tudo bem? Hj vim fazer um convite para
    participar do sorteio de natal que o meu blog
    Cantinho Virtual da Rita está fazendo .
    Desejo sorte participe, bjuss e bom final de semana

    Abraços

    └──●► *Rita!!

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  6. Concordo contigo, Marilene, e infelizmente o uso e o abuso indevido de informações por parte da mídia mais atrapalha o caso do que ajuda (E como ajudaria, afinal?) Durante o meu ensino médio eu ouvi e presenciei muita coisa interpretada de maneira errada...quando ainda estudava no ensino fundamental eu nunca me atentei para esta questão. Toda essa comunicação, essa cultura tecnológica inserida precocemente nas crianças...há em tudo uma parcela de culpa na degradação da imaginação dos pequenos. Mas é só uma opinião rasa rs. Sobretudo, há esperança. Que os tempos melhorem em todos os sentidos.
    Bom final de semana, querida!

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  7. A pedofilia sempre existiu , escondida porque de um crime de "vergonha" se tratava, e nos últimos tempos devido a uma grande exposição mediática desse tipo de crimes, pelo menos em Portugal, especialmente devido ao Caso Casa Pia e a outros que se seguiram, E à justíssima censura pública de tais actos e formas de alertar com vista à prevenção, criou-se também uma desconfiança em relação a pessoas (principalmente homens, é claro) verdadeiramente afectuosas com as crianças, num ambiente de "caça às bruxas" no qual se lançam suspeitas sobre um indivíduo, apenas por oferecer um doce a uma criança ou acariciar a filha do vizinho.
    Mesmo quando possam existir razões para um julgamento, o facto de expôr as pessoas antes de serem ou não condenadas, é um acto de injustiça porque a pessoa é condenada na praça pública antes mesmo de ter usado o seu direito à defesa, e depois mesmo que inocentado, o estigma ficará para sempre.
    Há quem suspeite por "dá cá aquela palha", e também há quem não acredite nas crianças, o que também poderá ser dramático. Enfim, um assunto muito delicado que deveria ser devidamente investigado sem qualquer tipo de publicidade, o que seria melhor, tanto para o suposto agressor como para a alegada vítima.
    Sempre assuntos interessantes e de grande relevância social e individual.
    Um excelente fim de semana, Marilene! Por aqui é só chuva...!...:-(
    xx

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  8. Que loucura isso, Marilene, penas soltas não têm volta. Essas coisas me levam a pensar na pena de morte... Comete-se uma enorme e irreparável injustiça e mais tarde descobre-se que o camarada era inocente. E aí, como fica? Reparar o quê, se a criatura está enterrada, a família destruída? Por outro lado, quando há provas pra lá de suficientes, pensamos nisso. Acho que você viu ontem dois homens que ficaram presos nos Estados Unidos por 35 anos. Saíram da prisão na semana passada porque eram inocentes!!! Foram acusados na época, por uma criança que quis ajudar a polícia... Não sei mais o que pensar.

    Beijão!!!
    Adorei.

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  9. BOA NOITE
    Que coisa é essa. Meu Deus este mundo esta perdindo. Quem deveria esta preso fica ai soltinho. As pessoa deveriam pensar antes de julgar.Um domingo de paz para vc. Adorei a postagem.
    Um abraço fraterno.
    Ana

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  10. O mal da Sociedade que anda a reboque da "informação" que apenas se sacia em meias notícias deformadas na sua objectividade, é que acredita e, simultâneamente julga, pois é cómodo não pensar.
    A Justiça é cega, mas não tanto.
    Um bom trabalho, Marilena.


    Beijos


    SOL

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  11. Olá mana,

    Lembro-me do filme citado (A CAÇA).
    Concordo que acusações da espécie devem merecer muito cuidado e atenção. A justiça humana é falha. Antes de alardear-se pretensos crimes seria necessário colher-se provas plausíveis para evitar-se julgamentos indevidos e condenações injustas, as quais destroem o envolvido e sua respectiva família. Há casos que não deixam dúvidas, mesmo porque os acusados já possuem antecedentes que falam por si, mas quando se trata de acusados sem mancha em seus antecedentes o cuidado deveria ser redobrado. No caso desse monitor, especialmente, vê-se que muitos pais dos coleguinhas das crianças o reconhecem como pessoa incapaz da prática de tal crime. Logo, a situação deve ser apurada com a necessária cautela, já que não há indícios divulgados de prova contra ele, o que não quer dizer que ele seja inocente. Os pais, naturalmente desolados e desesperados, precisam de um culpado e podem se precipitar nos julgamentos. Crianças podem ser facilmente manipuladas e confundidas. Certo é que uma condenação de estupro ou pedofilia, quando injusta, traz consequências seríssimas. Imagine o que uma pessoa que sofre tal tipo de condenação sofre nos presídios. O reconhecimento tardio de inocência em nada aproveita o condenado, que já terá sua vida marcada para sempre.
    Acho muito válidas as suas ponderações. Como dita a própria lei, no caso de dúvida o réu deve ser favorecido, o que não impede que seja monitorado pela polícia.

    Bela imagem.

    Beijo.

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  12. Tratas bem aqui uma matéria muito sensível, Marilene. A pedofilia, podemos ter agora, por mais noticiada, a noção de quanto é recorrente. Julgar um desses casos, por dificuldade em obter provas concretas. Não será nada agradável o julgamento e bastantes crimes do género, acabam ilibados.
    Beijos

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  13. Oi, Marilene!
    Excelente abordagem!!! Não só no âmbito escolar, história de pessoas que são julgadas, condenadas e executadas pela população por crimes não comprovados, ou não na proporção divulgada, tem sido frequentes e mostram a babárie em que está se transformando a população mundial. As pessoas querem justiça, mas não temem ser injustas.
    E de fato, hoje em dia os pais aceitam o que os filhos falam sem questionar. Lembro-me que sempre quando minha filha contava algum episódio escolar no qual se sentia prejudicada, eu sempre perguntava "o que você fez?" Em 90 % dos casos ela havia errado, e nos outros 10 %as coisas não eram tão graves quanto ela fazia parecer. Falta essa inversão na conversa dos pais para diminuir a chance de pré-julgamentos errados.
    Um abraço!

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  14. Há que se ter atenção, cautela e senso de justiça.
    Boa entrada.

    Beijo.

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  15. Oiê! Que saudade daqui! E voltei logo numa matéria ótima, num texto muito bem exposto por você Marilene. O caso é realmente muito delicado, deve ser tratado com muita cautela. E principalmente, deve-se tomar muito cuidado com a mídia, que explora de uma maneira vil, casos como esse. Infelizmente a imprensa faz tudo pela audiência, e o povo também não fica atrás, se alimenta de sangue e tragédia, enfim uma coisa colabora com a outra. E precisamos lembrar que criança não costuma mentir, porém tem muita imaginação...
    Bj gd.

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  16. Olá, Marilene, bom dia!
    Vi este filme, e lembro-me do caso que você cita. Tenho também acompanhado as notícias sobre este professor. Hoje, acho melhor que nem sequer nos atrevamos a olhar para uma criança na rua. Até quando fazemos isso, os pais nos olham desconfiados. Porque há muita maldade no mundo, mas acima de tudo, há maldade demais na cabeça das pessoas.Acho que tais casos deveriam ser condiuzidos em sigilo absoluto até que a culpa fique provada.
    Abraços!

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  17. Concordo, Marilene, com tudo que você disse. Precisamos estar sempre atentos aos riscos que correm as nossas crianças, mas, infelizmente, parece que as pessoas têm uma inclinação lamentável para acreditar com mais facilidade nas notícias ruins sobre outras;isso demanda uma avaliação cuidadosa, antes de se condenar alguém, ainda mais por um crime tão nojento. É preciso ter certeza dos fatos! Ótimo texto, boa semana.

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  18. Com saudades..
    Tenho ficado muito ausente,
    mais minha esperança é voltar
    a vida normal em atividade
    como sempre fui ..Derepente tudo muda
    só não posso aceitar ausência de pessoa ,
    que fazer parte da minha vida
    a longa data.
    Desejo uma abençoada semana.
    Beijos e meu eterno carinho.
    Não deixe de participar do sorteio
    no meu blog.
    Para 30-12-2014.
    Vale lembrar que é um lindo vestido indiano
    selinho na lateral do blog.
    Para amigos uma camisa
    apolo será sorteada também.
    Hoje uma linda história de amor.
    Amor Na Guerra.
    Amiga as crianças precisam e deve ter muita atenção.

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  19. um texto muito lúcido. e tão actual...

    beijo

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  20. Vi a Caça e gostei muito das questões que se impõem no filme. Seu texto é ótimo.
    Beijos

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  21. Acusar e julgar é cômodo, é muito fácil. Difícil é provar.

    Quanto à redução do valor da indenização a ser paga pela emissora de TV, achei injusta, pois deveria ser elevada, não com o intuito de limpar a mancha imposta aos acusados, mas a fim de aumentar a pena, assim como as duas mães responsáveis pelas acusações, também deveriam ser penalizadas. Belo texto! Muito pertinente à época em que vivemos.

    Abraços,

    Furtado.

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  22. Marilene, você fez uma excelente abordagem. Devido essa onda de pedofilia as crianças hoje estão meio arredias, se alguém fizer um carinho, já é sinal de abuso. Na semana passada assisti no jornal da Record uma reportagem onde um homem de 65 anos foi linchado pelos vizinhos em pleno tarde, porque uma vizinha que não gostava dele sai espalhando que as duas sobrinhas dela teria sido abusada por ele. Os vizinhos entraram na casa dele, arrastou ele pra fora, e espancaram até a morte. Foram feito exames nas crianças e não constataram nada de violência. Os filhos do homem estão arrasados, e agora pede justiça, porque o pai era um homem integro correto, e que havia mudado para aquele bairro fazia pouco tempo. Eles nem conhecia o homem direito. Isso tudo começou porque o homem não gostava que as crianças fumassem maconha e brincassem perto do carro dele que ficava na rua. Ele morou 30 anos em outro bairro e os vizinhos de lá estão todos revoltados com o que fizeram e também pedem justiça.
    A pedofobia é um crime imperdoável, mais acho que antes de ouvir uma criança precisa ser averiguado corretamente o ato em si. Já vi casos muitos triste de crianças por pura birra acusar pessoas inocente. Os pais precisam observar acompanhar, e ouvir as denuncia dos filhos mais procurar examinar com veracidade o ato pra não acusar pessoas inocentes.

    Eu e meu marido comentávamos essa semanas obre o perigo de alguém acabar fazendo um carinho numa criança inocentemente e ser interpretado erradamente. A tecnologia é muito boa, beleza pura, evoluiu, me ajuda em tudo, pra mim principalmente quebra o maior galho, alias uma árvore inteira risos, mais colaborou pra muitas coisas ruins. principalmente essa maldita pedofilia. Mais como tudo tem o pós e contra. O importante é ter cuidado, ser mais cauteloso ao acusar alguém sem certeza. Criança as vezes tem a mente muito fantasiosa.
    Eu também vi o filme, muito bom!

    Deixo um beijo e desejo de uma semana excelente.

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  23. um texto muito lúcido e que nos leva a uma profunda reflexão.
    há casos em que os "acusados" são linchados em praça publica e por vezes são inocentes.
    há canais de Televisão e há jornalistas que fazem um circo para terem as maiores audiências e afinal muitas vezes são só meras suposições.
    fico muito incomodada com casos de pedofilia, mas há casos e casos.
    :(

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  24. Você está muito certa Marilene, tudo tem que se rmuito bem investigado, para não se cometer injustiças.
    Belo texto, um abraço.

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  25. É um assunto muito melindroso!!! Por um lado os pedófilos existem, e as crianças
    por vezes não dizem bem a verdade. Saber encontrar essa verdade, é a tarefa
    mais importante.
    Desejo que a amiga se encontre bem.
    Bj.
    Irene Alves

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  26. A amiga Marilene aborda de forma justa e lúcida um tema muito sensível e controverso.

    Até onde pode ir a imaginação infantil e até onde pode ir a maldade humana. Há que separar bem tudo isto, mas sabemos que a comunicação social vive empolgando estes dramas.
    Cabe à justiça e aos profissionais avaliar bem todos os lados da questão, e cabe aos pais saber avaliar com justiça os relatos dos filhos.

    Beijinho

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  27. Mari,
    vc trouxe mais uma vez com profundidade e imparcialidade, fatos controversos e que têm sido mais vistos do que gostaríamos.A mídia tem seguidamente insuflado a turba que caoticamente cega se leva por meia dúzia de palavras acusatórias repletas de veneno difamatório e muita das vezes sem fundamento, gerando atitudes incivilizadas.
    Pautar-se apenas em duas ou três avaliações é de pouca responsabilidade frente a um caso desta natureza.As crianças podem sim, expandir a imaginação sem medir as consequências...são crianças. A justiça dos adultos é que tem por obrigação apurar com cuidado e responsabilidade cada situação.

    Bjkas,
    Calu

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  28. Olá Marilene! Retornando para te cumprimentar e desejar uma ótima quinta-feira para ti e para os teus.

    Abraços,

    Furtado.

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  29. Marilene: não preciso de escrever muito, pois já sabe que fui professora e que exerci outras funções ligadas às crianças e jovens. Subscrevo o teu texto, pois lidei com casos em que a imaginação e o efeito do contágio noticioso, puseram em risco a dignidade de pessoas. Infelizmente, cada vez mais, assistimos a julgamentos na praça pública. Mesmo que inocentados, da "fama" já não se livram.
    Quando se prova que há ou houve pedofilia, sou a primeira a condenar veementemente. Sabemos que foi uma prática continuada e silenciosa... O abuso sexual ocorre , quase sempre, dentro de portas, isto é, em contexto familiar...
    No que aos professores diz respeito (mas não só - lembro-me do meu médico de família não querer dar consultas sozinho, havia quase sempre uma enfermeira), tiveram que se tornar cuidadosos com os gestos afetuosos e de, por exemplo, deixar de falar com um aluno ou aluna a sós...
    Do jeito que isto vai, acho que cada vez será pior.
    Bjo :)

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  30. Marilene, como vai querida?
    Ah, lembro-me deste caso atual, pois acompanhei através do noticiário.
    Sem dúvida, a imprensa agora está tomando mais cuidados, pois já destruiu de forma devastadora a vida de uma família paulista anos atrás e o que eles receberam de volta? Nada! Adoeceram, morreram e o membro da família que restou, está impassível... tudo perdeu... Nada, nenhuma indenização trará a vida dele de volta! Lamentável!

    Fico muito chocada quando vejo um caso assim, como o que está acontecendo com este monitor. Faz-se necessário o amplo direito de defesa e uma séria investigação, antes de tomar qualquer tipo de consideração ou providência! As crianças, atualmente, são muito influenciáveis e podem deturpar os fatos.. Como você muito bem mencionou, um simples toque na mão pode ser interpretado como um ato de violência...
    Afinal onde vamos parar se todos são jogados às feras?
    Infelizmente a vida deste monitor e pai de família, nunca mais será a mesma, pois sua imagem já foi corrompida. Entretanto, ainda é tempo de fazer a coisa certa, antes que termine em uma nova tragédia familiar.

    Marilene, você como sempre nos revelou mais uma excelente abordagem de um tema bastante polêmico!
    Você é maravilhosa!
    Beijos e um lindo restinho de semana para você tá? :))))))

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  31. Belo texto , Marilene
    Um abraço, bjs

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  32. Cara Marilene

    Não há dúvida que a pedofilia é um crime deplorável e deve ser investigado e condenado com todo o peso da Justiça. Mas traz aqui um outro lado do problema. A imputação de crimes e julgamento na praça pública sem a devida investigação, acusação e condenação por quem de direito. As pessoas que são vítimas dessas calúnias jamais recuperam as suas vidas. O anátema persegue-as e não há dinheiro que faça retomar a vida e reintegrar-se na sociedade.

    Mais uma vez, Marilene, faz-nos pôr a mão na consciência e ver para lá do "diz-que-diz", boatos que levam as pessoas a propalar a quatro ventos coisas das quais não se tem a certeza absoluta. Mais um alerta que muito aprecio.

    Bom fim de semana.

    Bjs

    Olinda

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  33. Eu assisti este filme que mostra o quanto uma interpretação errônea estimula uma criança a dizer coisas que vão muito além da realidade. Por outro lado, é necessário a averiguação profunda antes de ser levantada uma suspeita que destruirá para sempre a vida das pessoas envolvidas
    Os antecedentes pessoais do personagem não foi levado em conta e os supostos amigos o culpabilizaram sem qualquer escuta.

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  34. Muito bom o texto, Marilene. Esse caso que citou é da Escola Base em SP, né? Foi um dos casos mais estudos quando fiz faculdade de jornalismo, para falar sobre ética, alienação midiática, sensacionalismo e etc. A mídia tem um poder perverso sobre as pessoas...os profissionais que estão atuando nela devem tomar o máximo de cuidado. Infelizmente nem sempre acontece isso e vemos injustiças sendo cometidas. Bem interessante esse filme, não conhecia, mas irei procurar ver.
    Beijos!
    Monólogo de Julieta

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  35. É um tema delicado e polêmico que, para mim é beeem difícil opinar, pois tenho PAVOR de sequer cogitar a ideia de estar defendendo ou querendo "colocar panos quentes" diante de um pedófilo.
    Falar que criança não mente é ingenuidade, dependendo da faixa etária, mente sim, mas não sei se com tantos requintes de crueldade, porque se for feita uma análise aprofundada, nem adulto mentiroso e esperto sai impune da mentira, quanto mais uma criança inexperiente.
    Pessoas falam muito de "provas concretas" e estas mesmas "provas concretas" que em determinados casos de abuso não se concretizam, por não ter havido violência, abuso sexual sem penetração, sem deixar vestígios (tu sabe, é muuito possível) é a ideia que tem deixado muitos estupradores, encoxadores de transportes públicos livres.
    Acho tão traumático e perigoso pensar que o agredido está mentindo e defender o agressor, para mim seria difícil demais ser juíza ou advogada, culpar ou inocentar alguém.
    Mas concordo que, ocorrendo ou não o fato, não tem necessidade de ser exposto, afinal, a própria criança fica exposta o que já não é legal.
    Beijos.

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