3 de abr de 2014

A TEMPESTADE

(arquivo pessoal)
                                                             


A tempestade se anunciou e, em poucos minutos, chegava, assustadora. Protegida, esperei que passasse, eis que tinha contas a pagar e precisava ir ao banco. Enquanto aguardava, revi o filme de muitas outras e de seus estragos. As águas dos córregos subindo, cobrindo ruas, entrando nas casas. Deslizamentos de terra destruindo lares. Comerciantes de algumas regiões vivendo momentos de agonia, ao perceberem o prejuízo que, mais tarde, haveriam que levantar. Carros levados pela correnteza e chocando-se uns contra os outros, sem que seus proprietários pudessem evitar. Árvores caindo, falta de eletricidade. 

Em todas as épocas de chuva os estragos são os mesmos, perdas, tristeza, revolta. E há ainda aqueles que não se pode repor, os de vidas ceifadas. Pessimismo? Não! Conhecimento de uma realidade com a qual se convive, sem esperança. Nem me surpreendo com algumas placas colocadas em determinadas ruas: "Região sujeita a alagamentos". E com outros dizeres, objetivando sejam evitadas em caso de chuva forte. Como podem as pessoas fugirem do caminho que as levam às suas residências e locais de trabalho? A prefeitura está ciente de tudo e, quando instados a se pronunciar, dizem os responsáveis que há projetos em estudo para solucionar os problemas.  Projetos!!! Projetos!!! Enquanto, comodamente, são estudados (se o são, de fato), continuam os cidadãos, ano após ano, a arcar com os prejuízos, sem encontrar saída.

Nos lugares por onde passo, usualmente, não me deparo com essa realidade. Mas não me arrisco a ultrapassá-los, nessas ocasiões, eis que, bem perto, sei que encontrarei bueiros entupidos, alagamentos, ocorrências que meus olhos não desejam ver porque a dor dos que ali estão chegará ao meu íntimo. E estarei impotente para ajudá-los.

Enquanto escrevia, o telefone tocou. Era uma de minhas irmãs, que tem uma loja em um centro comercial próximo. Disse-me que não se aguentava em pé, de tanto tirar barro e água de dentro dela. Certamente, os produtos que estavam expostos na parte de baixo dos mostruários foram destruídos.

Não há empenho governamental para se dar um fim a esses desastres, provocados pela ausência das obras requeridas, que estão sempre nas promessas de campanha, por ocasião das eleições.

Hoje foi mais um dia de tempestade, não só lá fora, mas dentro de todos que não conseguiram escapar de suas consequências. Daqueles que não tem para onde fugir e que vivenciam o escoamento de seus recursos, sem possibilidade de retorno. Olhos cansados e tristes observaram, mais uma vez, a água que destruía, impiedosamente, seus bens, seu sustento, seus lares e suas vidas.


                                                              Marilene



30 comentários:

  1. Que triste isso,Marilene! A mesma cena se repete e nada acontece que mude. A natureza cada vez mais mostra sua força e cobra do homem e nada é feito, aliás, cada vez mais desmatam, mais prédios de muitos e muitos andares, tantas coisas que atrapalham cada vez mais! Pena os que tem esses prejuízos todos,.Trabalha,m., pagam impostos e nada tem em troca! Claro, onde eles, os políticos moram, está garantidos...beijos,chica

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  2. Uma realidade que se repente todos os anos. Aí como cá. Todos os anos são os alagamentos, a aflição das pessoas, a perda de haveres. Muitos ficam endividados pela destruição das suas lojas e casas... Isso dos projectos, dos estudos, quase nunca se vê o resultado, infelizmente.

    Bj

    Olinda

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  3. Ai Marilene, que tristeza... é sempre a mesma coisa, ano após ano !!
    Eles os politicos nunca vão fazer nada, afinal ninguém vê obra dentro da terra, córregos cuidados não rendem votos, afinal eleições são em outubro, e em outubro não chove ...

    tomara que sua irmã recupere os prejuízos, porque sempre sobra para a gente mesmo né ??

    Bjus 1000 querida e um finde lindo prá ti

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  4. Aí como aqui, é muito fácil fazer promessas na altura das eleições, mas parece difícil tomar decisões e resolver os problemas de vez. Até na zona onde moro temos de ser nós os moradores a limpar todas as sarjetas e os grandes sumidouros , porque se não for assim teremos água dentro de casa no Inverno.
    No entanto, no Brasil as inundações costumam atingir proporções muito dramáticas pelo que já na televisão. Realmente faz doer o coração ver gente perder a vida, perder os seus haveres, apenas porque quem devia ser responsável pelo bem comum se esquece das suas responsabilidades.
    Muito triste, mesmo.
    xx

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  5. Oi mana,

    Uma crônica muito lúcida diante desse quadro terrível que se desenha diante das nuvens negras que se formam no céu, num prenúncio de tempestade. Todo ano as tragédias se repetem, sem qualquer iniciativa preventiva por parte dos governantes, preocupados somente com obras de vulto, das quais podem extrair benefícios pecuniários, através de superfaturamento, ou daquelas que podem influenciar a seu favor em épocas de novas eleições, quando buscam a reeleição. Sugeri ,hoje, à nossa mana que não deixasse mercadorias em prateleiras baixas nos finais de semana, quando a loja fica fechada, a fim de evitar mais transtornos e prejuízos. Até quando o povo sofrerá as consequências da inércia e da indiferença dos responsáveis?

    Beijo.

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  6. Minha querida amiga, o Planeta Terra está muito mal. Acontecem coisas muito assustadoras e há
    muitas populações a sofrer por diversas situações.
    Deus queira que as coisas possam inverter-se, porque estou com muito receio.
    Bjs. e o desejo que esteja bem.
    Irene Alves

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  7. Oi Marilene!
    Os estragos causados pelas chuvas bem que poderiam ser amenizados, se houvesse boa vontade por parte dos governantes. Mas não estão nem aí, pois provavelmente residem bem longe de onde ocorrem os deslizamentos, alagamentos, etc.
    É triste constatar que a pessoa trabalha uns 5 meses do ano só pra pagar impostos, mas nunca tem retorno.
    Ver esse tipo de destruição, dá um sentimento de impotência...
    Muito oportuna sua crônica.
    Bjs!

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  8. Oi, Marilene!
    Não exste consolo, pois as coisas tendem a piorar. A natureza do homem é ser nômade e sair do lugar em que a natureza não o quer mais e com o mundo superpovoado, ele não tem mais para onde ir. Então é requisitar toda a sua "inteligência" e tentar melhorar onde mora. Se o governo não olha, as iniciativas comunitárias são válidas e imagino como é olhar para esse vasto país cheio de obras para serem feitas... Sinto pesar por essas pessoas que sofrem!
    Beijus,

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  9. Esse desabafo expõe tudo o que nós sentimos, Marilene. Seu texto diz tudo e mais um pouco de um problema que parece não ter solução simplesmente pq os responsáveis estão pouco se lixando. Enquanto política for considerada uma forma de ganhar dinheiro fácil nada irá mudar. Bjs e bom fim de semana.

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  10. Oi Marilene
    Estou voltando aos poucos a blogar e sou solidária ao seu post. A chuva é necessária e não tem como evitá-la, mas os alagamentos são pura falta de vontade política, e isso causa mesmo uma revolta, pois entra e saem políticos e a coisa continua a mesma.
    Bjos.

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  11. HI, you have a great blog. Would you like to follow each other? Let me know. I wish you a nice day. :)

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  12. Bom dia querida amiga
    O tempo passa e vida precisa continuar a esperança de um mundo mais harmonioso, coberto pelo Amor do nosso Criador!
    Um lindo fim de semana!
    Abraço amigo
    Saudades!
    Maria Alice

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  13. Oi amiga!! Tempestades sempre tornam os lugares onde estamos assustadores!!
    Tenha uma ótima semana, beijos!!

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  14. não se respeita a natureza - e natureza, vinga-se...

    excelente reportagem.

    beijo

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  15. Que tristeza ver esse desespero de quem sofre economicamente com essas chuvas ne Mari? E esses governantes nao fazem nada, sabendo que isso se repete a cada ano? Isso que é o mais triste...essa falta de respeito!
    Um horror!
    Essa foto é do teu apê? Bem cool! Adoro ver a chuva, mas quando sei que não esta ocasionando nenhum estrago!
    Bjks!

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  16. É muito triste ver tudo isso e não conseguir fazer nada e quem pode fazer se detém em 'projetos infindáveis' que nunca sairão do papel, se é que existe algum papel.
    Um abraço Marilene e muita proteção Divina para nós.

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  17. Uma triste realidade que é já comum às grandes metrópoles (principalmente ) e, o mais desesperador é que o drama se repete ano a ano...Além das péssimas administrações, parte da população não tem colaborado, ao espalhar lixo pela cidade, entupindo os bueiros. Governo & Povo precisa se unir, nas medidas para o Bem Comum.
    Oportuna crônica, Marilene...a gente agradece.
    Beijos,
    da Lúcia

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  18. Kkkk....aquela foto com os baby patos é uma figura mesmo, toda vez que vejo uma cena dessas fico horas olhando, coisa mais fofa!!!!

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  19. As tempestades são assustadoras. Bonito texto.
    Beijinhos

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  20. Olá Marilene. Muito bom o seu texto, fiquei apaixonada pelas suas palavras...parabéns! Realmente é triste ver muitas tempestades que traz a natureza,mas também aquelas causadas por dores e pela visão do nosso país se desmoronando. Espero que um dia possamos mudar e para melhor.
    Beijos!
    Monólogo de Julieta.

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  21. Oi, Marilene, você pode berrar que as coisas vão continuar. Todos nós constatamos essas mesmas tragédias, entra ano, sai ano a mesma coisa. É vergonhoso. A natureza nem liga, amiga, ela se vinga dos boeiros entupidos, do lixo nos riachos, dos sofás jogados nos cantos... Falta educar o povo e boa vontade dos governantes. Acredita nisso? Vamos ouvir no horário eleitoral! Pelo menos é de graça!
    Beijão!!

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  22. Mari,
    esta situação parece um filme sem fim, com créditos sempre repetidos e traillers assustadores das próximas sequências que sabemos, não tardam a se repetir.Falta tudo: vontade e seriedade política, educação e postura cidadã ao povo, planejamento urbano e apoio por parte dos governantes...Até quando assistiremos a esta calamitosa reprise?
    Que os céus sejam brandos por aí.
    Bjos e boa semana.
    Calu

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  23. Cruel realidade, sim, Marilene! Aqui, na cidade onde moro, são constantes os prejuízos e até mesmo as mortes, por conta de alagamentos e deslizamentos de encostas! Até quando? :( Boa semana, amiga.

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  24. Este comentário foi removido pelo autor.

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  25. Olá, Bom dia, Marilene,
    sim as tempestades e a nossa realidade!
    infelizmente , são fenômenos naturais,que são intensificadas pelas práticas humanas no espaço das cidades, causado tanto pela ausência de consciência por parte da população quanto por sistemas ineficientes de drenagem, a desocupação de áreas de risco, diminuição dos índices de poluição e geração de lixo, além de um planejamento urbano mais consistente etc ...e aqui que vejo um grande problema...os governantes não assumem a sua incapacidade em evitar esse tipo de tragédia e gerenciar os impactos e aproveitam a oportunidade para dar andamento a sua agenda eleitoral , puro interesse político em detrimento ao social, não há interesse técnico em resolver os problemas ... e para nós resta ver que alguns perderam a vida, outros perderam pessoas queridas, muitos perderam suas casas, outros perderam um dia de trabalho, outros, prejuízos financeiros e para outros , caos no trânsito...
    Obrigado pelo carinho, bela semana,beijos!

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  26. Olá Marilene. Cheguei até aqui através do blog do Tunim, o qual visito semanalmente. Seu texto é muito atual e mostra a realidade de grandes centros urbanos. Tem que conviver com a tempestade lá fora e a tempestade dentro de cada um. Fico imaginando a ansiedade dessas pessoas que fatalmente serão atingidas pelos estragos da chuva . Não tem descanso em hora alguma , em épocas pluviais. Enfim, como vc disse , as autoridades só fazem promessas. E de promessa o povo tá cheio.
    Eu gosto de textos assim claros e de indignação com tanta falta de consciência política em nossos dias. Vez em quando tb publico algo neste estilo. Não consigo ficar calada. Bjs e fk com Deus.

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  27. Olá Marilene! Muito obrigada por passar no meu blog, sempre estarei passando por aqui também porque tu sabe que adorei seu cantinho. Quero desejar uma ótima tarde para você nessa terça.
    Bloody Kisses
    Monólogo de Julieta

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  28. Boa tarde Marilene, triste quando isso acontece, em alguns lugares falta chuva em outros cai tudo de uma só vez..... mas desejo uma semana iluminada. bjks Loiva

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  29. Olá,Bom dia,Marilene
    voltei algumas...
    sim...com certeza, o tempo me ajudará a refletir sobre essa minha decisão.
    Tenho a opinião e sou assim, que tudo tem que que ser feito com muito prazer e dedicação, e Não seria leal e justo, de minha parte, a mera formalidade de aqui estar, sem querer ou poder estar... diversos acontecimentos pessoais (doença do mano,minha cefaléia, viagens à trabalho)+ uma Blogosfera "meio" egocêntrica e àvida por números + leitores que nem se dão o prazer de disfarçar que não leram as nossas postagens feitas com tanto carinho = tempo de parar e refletir, se vale a pena tudo isso ...
    Quero que saiba que, tenho profundo carinho,amizade, respeito e admiração por ti e seus escritos e sei que a recíproca é verdadeira... por isso,a minha vinda aqui, mesmo em off...
    No mais, desejo todo o sucesso e felicidades do mundo para ti e seu blog...
    Obrigado pelo carinho, belos dias, Boa Páscoa , beijos!
    Té+

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    1. Meu amigo, entendo perfeitamente o seu desconforto com o comportamento de alguns. Quando se faz algo com amor, espera-se, pelo menos, que o trabalho mereça devida apreciação e não um passar de olhos com objetivos outros, não louváveis. Espero que logo tenha sua vida estabilizada, com a recuperação plena de seu irmão, e que retorne, para o prazer dos muitos que o admiram. Bjs.

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