14 de mar de 2011

O CULTO AO CORPO



Vivemos em uma época onde os valores, sejam morais, estéticos ou religiosos, vêm passando por transformações extremas. As pessoas não são vistas, mas medidas, analisadas e até mesmo julgadas  pelo seu aspecto exterior. A valorização de atributos físicos, ou melhor, a exigência de padrões de beleza, levam a mulher a uma busca tão louca que acaba por perder o senso. Jovens adolescentes deixam de "curtir" as alegrias dessa fase, adicionando aos complexos normais na idade outros, criados pela massificante obrigação de se chegar à estética perfeita.

Tudo contribui para isso. Nossas agências de publicidade, tão cultuadas pela merecida competência de seus profissionais, cedem aos pedidos dos clientes e evidenciam, em comerciais,  revistas e demais meios de comunicação, essa imposição de padrões de beleza, nada louvável.

É bonita a mulher magra? E a esquelética, com problemas de anorexia e bulimia? Não só as mulheres são afetadas por essa questionável valorização do corpo. Quanta tolice encontramos em mentes desequilibradas,  atraídas pelo vício,  supervalorizando o corpo em busca de uma "realização" que não lhes proporcionará  a propagada felicidade. Sabe-se que ela não tem vínculo com o sucesso, o dinheiro, a projeção. Estamos sempre sendo cientificados das quedas, do desassossego, da morte de pessoas e de ideais, em decorrência da frustração que acompanha mentes despreparadas e apoiadas em falsos mitos.

Proliferam as academias. Cada bairro tem duas, três, estão nos shoppings, nos mais diversificados lugares. Algumas funcionam 24 horas. E a maioria das pessoas que lá estão não pensam em saúde física, mas em manter um físico que desperte olhares e admiração.

Se a televisão, a rua, as revistas, mostram esse lado, tenho que o outro deve ser adquirido em casa. Uma personalidade bem formada, uma boa educação, um exemplo familiar, uma grande reserva de paciência e disponibilidade por parte dos pais , ajudará a criança e o adolescente a adquirirem e preservarem valores que os afastem dessa propagada e enganosa exigência social. Pra que acrescentar mais um desafio a quem nem está, ainda, preparado para os demais que terá que vencer na vida?


                                            

Infelizmente, essa supervalorização do corpo é aprendida no "lar". Mães sonham em ver os filhos nas passarelas, sem atenção às suas reais habilidades e interesses. Fazem exigências, controlam... Penso que, no íntimo, têm frustrações que projetam nos filhos. Eu diria até, no limite do exagero, que, em muitos casos, quem precisa de ajuda médica são os próprios pais.

Sou e sempre fui magra. Vivi a situação ao contrário, pois minha mãe me fazia ingerir remédios para engordar, preocupada com minha constituição física. Em minha casa, na simplicidade , o importante era a saúde e não a beleza. Talvez, outros tempos, podem dizer. Mas não se trata de tempo e sim  de saúde, realmente.

Tenho uma amiga que nunca foi magra. É cheinha mesmo. Sempre a incentivávamos a fazer uma dieta, mas ela não resistia. Cozinha maravilhosamente bem e adora comer. Conseguiu conquistar um colega de trabalho por quem era apaixonada (não que tenha sido fácil), casou-se, tem filhos e continua gordinha. O importante para suas conquistas: mulher inteligente, culta, amiga para todas as horas, querida por todos e com um bom humor incrível. É um enorme prazer estar com ela, pois alegra qualquer ambiente , seja qual for a situação.

É aí que vejo a resposta para tamanha insatisfação hoje existente. Cuidam do corpo e não do espírito. O corpo deve ser tratado, sem dúvida, mas em prol da saúde, da satisfação frente a um elogio, do bem estar. Mas ele não levará ninguém ao pedestal propagado pela sociedade que, aliás, não tem estrura para manter, por tempo indefinido, quem a ele chega por caminhos duvidosos.

Vamos cuidar do corpo, mas não sejamos escravos dele. Nenhuma forma de corrente é agradável e se ela ficar muito forte, não haverá Lei Áurea capaz de romper seus elos.

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